Fenaban apresenta proposta rebaixada de 7% e Comando orienta indicativo de greve

Mostrando desrespeito à categoria, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentou nesta sexta-feira, 19, proposta de apenas 7% de reajuste no salário, na PLR, nos auxílios refeição, alimentação e creche. O índice de reajuste salarial é muito menor que o reivindicado pela categoria, de 12,5%. Para o piso, os banqueiros ofereceram 7,5%, valor também insuficiente. […]

Mostrando desrespeito à categoria, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentou nesta sexta-feira, 19, proposta de apenas 7% de reajuste no salário, na PLR, nos auxílios refeição, alimentação e creche. O índice de reajuste salarial é muito menor que o reivindicado pela categoria, de 12,5%. Para o piso, os banqueiros ofereceram 7,5%, valor também insuficiente.

Essa foi a sétima rodada de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban e nenhuma das reivindicações centrais da categoria foi atendida. Por isso, o Comando Nacional orientou a rejeição da proposta e definiu calendário de luta com realização de assembleias gerais na próxima quinta-feira, 25, e indicativo de greve por tempo indeterminado a partir do dia 30 de setembro. Se aprovada a greve, no dia 29 será realizada nova assembleia para organizar o movimento paredista.

Para o coordenador geral do Sindicato dos Bancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), que representa o Espírito Santo e a Intersindical no Comando Nacional da categoria, essa é a hora de mobilização e de organização de uma forte greve.

“Diante da rentabilidade dos bancos, que aumenta cada vez mais, a proposta da Fenaban chega a ser constrangedora, é uma provocação à categoria. Os bancários contribuem para a obtenção desse lucro e a resposta dos banqueiros são as péssimas condições de trabalho, o assédio moral e os baixos salários. Somente com uma greve forte vamos conseguir elevar esse índice e conquistar outras cláusulas importantes, como as de saúde e condições de trabalho e as sociais”, enfatiza Carlão.

Vale destacar que só no primeiro semestre do ano os seis maiores bancos que atuam no país (Itaú, Caixa, Banco do Brasil, Bradesco, HSBC e Santander) obtiveram lucro líquido superior a R$ 28,4 bilhões, um crescimento de 14,3% na comparação com o primeiro semestre de 2013. Para Carlão, os números mostram que não há justificativa para negar as revindicações dos bancários e a solução passa pela realização de uma greve forte e unificada.

“A proposta de reajuste salarial repõe a inflação e não garante ganhos reais significativos. Além disso, os bancos não apresentaram propostas às demandas de saúde e condições de trabalho, emprego e igualdade de oportunidades, questões centrais na pauta da categoria. As negociações nas mesas específicas dos bancos públicos federais também não avançaram, por isso, temos todos os motivos para iniciar um movimento de paralisação forte e unificado, que mostre a insatisfação da categoria”, conclui Carlão, convocando todos os bancários e bancárias à assembleia da categoria, no dia 25.

Calendário de luta

25/09 – Assembleia geral para discutir a proposta da Fenaban

29/09 – Assembleia de organização da greve

30/09 – Indicativo de greve por tempo indeterminado

Confira a proposta econômica dos bancos

  • Reajuste de 7% (0,61% de aumento real).
  • Piso portaria após 90 dias – 1.235,14 (7,5% ou 1,08% de aumento real).
  • Piso escritório após 90 dias – R$ 1.771,73 (1,08% acima da inflação).
  • Piso caixa/tesouraria após 90 dias – R$ 2.393,33 (salário mais gratificação mais outras verbas de caixa), significando 1,08% de aumento real).
  • PLR regra básica – 90% do salário mais R$ 1.812,58, limitado a R$ 9.723,61. Se o total ficar abaixo de 5% do lucro líquido, salta para 2,2 salários, com teto de R$ 21.391,93.
  • PLR parcela adicional – 2,2% do lucro líquido dividido linearmente para todos, limitado a R$ 3.625,16.
  • Antecipação da PLR

Primeira parcela depositada até dez dias após assinatura da Convenção Coletiva e a segunda até 2 de março de 2015.

  • Regra básica – 54% do salário mais fixo de R$ 1.087,55, limitado a R$ 5.834,16 e ao teto de 12,8% do lucro líquido – o que ocorrer primeiro.
  • Parcela adicional – 2,2% do lucro líquido do primeiro semestre de 2014, limitado a R$ 1.812,58.
  • Auxílio-refeição – R$ 24,14.
  • Auxílio-cesta alimentação e 13ª cesta – R$ 425,20.
  • Auxílio-creche/babá (filhos até 71 meses) – R$ 353,86.
  • Auxílio-creche/babá (filhos até 83 meses) – R$ 302,71.
  • Gratificação de compensador de cheques – R$ 137,52.
  • Requalificação profissional – R$ 1.210,04.
  • Auxílio-funeral – R$ 811,92.
  • Indenização por morte ou incapacidade decorrente de assalto – R$ 121.072,92.
  • Ajuda deslocamento noturno – R$ 84,75.

Confira também as propostas dos bancos sobre as reivindicações não econômicas, também insuficientes na avaliação do Comando Nacional.

Principais reivindicações da Campanha Nacional

Reajuste salarial de 12,5%.

PLR: três salários mais R$ 6.247.

Piso: R$ 2.979,25 (salário mínimo do Dieese em valores de junho).

Vales alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$ 724,00 ao mês para cada (salário mínimo nacional).

Melhores condições de trabalho, com o fim das metas e do assédio moral que adoecem os bancários.

Emprego: fim das demissões e da rotatividade, mais contratações, proibição às dispensas imotivadas, aumento da inclusão bancária, combate às terceirizações diante dos riscos de aprovação do PL 4330 na Câmara Federal, do PLS 087 no Senado e do julgamento de Recurso Extraordinário com Repercussão Geral no STF.

Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS): para todos os bancários.

Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós-graduação.

Prevenção contra assaltos e sequestros: cumprimento da Lei 7.102/83 que exige plano de segurança em agências e PABs, garantindo pelo menos dois vigilantes durante todo o horário de funcionamento dos bancos; instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento das agências; e fim da guarda das chaves de cofres e agências por bancários.

Igualdade de oportunidades para todos, colocando fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais e pessoas com deficiência.

Com informações da Contraf.

Imprima
Imprimir