Fenaban chama para negociar mas não apresenta nova proposta

Entidade patronal insistiu no modelo de reajuste abaixo da inflação mais abono, proposta já rejeitada pelo Comando Nacional dos Bancários. Nova rodada foi agendada para quinta-feira, às 16 horas. Sem avanços, greve continua por tempo indeterminado e orientação é intensificar o movimento paredista.

comando-nacional-13-09-2016

Desrespeito. Essa é a palavra que sintetiza a postura da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nas negociações nacionais. Na tarde desta terça-feira, 13, em nova rodada com o Comando Nacional dos Bancários, os representantes da Fenaban não apresentaram nova proposta às reivindicações da categoria e insistiram no modelo de reajuste abaixo da inflação mais abono. Sem avanços, os bancários mantêm a greve por tempo indeterminado e convocam a categoria para intensificar paralisação.

Uma nova rodada de negociação foi marcada para a próxima quinta-feira, às 16h. em São Paulo.  A expectativa, segundo o diretor do sindibancários/ES Idelmar Casagrande, é que a entidade patronal se disponha a dialogar de forma franca com os trabalhadores, apresentando uma proposta real aos bancários e bancárias.

“É inaceitável que a Fenaban convoque reunião sem sinalizar nenhuma nova proposta para a categoria. Deixa claro que os bancos não querem negociar e estão tratando seus empregados com desdém. Reafirmamos que não aceitaremos abono, queremos reajuste real e soluções para os problemas de saúde e condições de trabalho da categoria, que hoje é uma das que mais adoecem física e psicologicamente em função do estresse e da cobrança de metas”, salientou Casagrande, que também representa os capixabas e a Intersindical no Comando Nacional.

A última proposta dos bancos foi de reajuste de 7% no salário, na PLR e nos auxílios refeição, alimentação, creche, e abono de R$ 3,3 mil. O reajuste indicado continua não cobrindo a inflação do período, calculada em 9,62% em agosto (INPC), e representaria perda de 2,39% para cada bancário e bancária. A proposta foi rejeitada pelo Comando ainda na mesa de negociação, no último dia 9. Antes, os bancos haviam proposto reajuste de 6,5% para salários e benefícios, e abono de R$ 3 mil.

Idelmar destaca que não há motivo para a negativa dos banqueiros. “A crise que atinge o trabalhador brasileiro não afeta os bancos, que continuam lucrando com a exploração do trabalho bancário e dos clientes. No primeiro semestre de 2016, foram R$ 29,7 bilhões de lucro. Enquanto isso, de janeiro a julho houve corte de 7.897 postos de trabalho”, salienta Idelmar.

O corte de emprego no sistema financeiro tem intensificado a sobrecarga nas agências. Com a imposição de metas e o assédio moral, o ambiente nos bancos é adoecedor para bancários e bancárias. De acordo com a última estatística divulgada pelo INSS, entre janeiro e março do ano passado, 4.423 bancários foram afastados do trabalho, sendo 25,3% por lesões por esforços repetitivos e distúrbios osteomusculares e 26,1% por doenças como depressão, estresse e síndrome do pânico, revelando que as doenças do sistema nervoso já ultrapassaram os casos de LER/Dort.

Greve seque forte no Brasil e no Espírito Santo

A greve da categoria continua crescendo. Na última segunda-feira (12), sétimo dia da paralisação, 11.531 agências e 48 centros administrativos ficaram paralisados. O número representa 48,97% de todas as agências do Brasil. A mobilização cresceu 15%, na comparação com a sexta-feira (9). No Espírito Santo, já somam 333 agências fechadas nesta terça-feira – 185 da Grande Vitória e 148 do interior. São 78 agências a mais se comparado ao primeiro dia de greve no Estado.

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