Fenaban mantém proposta rebaixada e Comando rejeita. Greve segue firme

Fenaban mantém postura intransigente e insiste em manter política de rebaixamento de salário da categoria

Frustrando a expectativa da categoria, a Fenaban apresentou nova proposta rebaixada. Em reunião durante toda tarde dessa quarta-feira, 28, em São Paulo, os bancos mantiveram o índice de 7% para salários e demais verbas em 2016, com abono de R$ 3,5 mil, e índice composto de inflação (INPC) mais 0,5% para 2017, em modelo de acordo válido para dois anos. O Comando Nacional dos Bancários considerou a proposta insuficiente e a rejeitou ainda na mesa de negociação,  por considerar insuficiente.

A greve da categoria continua por tempo indeterminado e nesta segunda-feira, 03, às 17 horas, no Centro Sindical,  será realizada uma plenária com os bancários e bancárias para debater e organizar os rumos do movimento. O Comando Nacional dos Bancários continua em São Paulo e reiterou que permanece à disposição da Fenaban para ter uma proposta que permita resolver a Campanha Nacional sem perdas para os bancários e bancárias. A paralisação chegou hoje ao 24º dia, e registrou recorde de adesão nessa quarta-feira, 28, com 356 agências fechadas no Espírito Santo. Nacionalmente, são 13.420 agências e 33 centros administrativos com atividades paralisadas.

“Mais uma vez, a Fenaban apresenta uma proposta vergonhosa. Os bancos continuam intransigentes e, mesmo com lucros bilionários, se recusam a  negociar uma pauta que proporcione valorização para a categoria. Já estamos na quarta semana de greve e essa postura da Fenaban é um desrespeito com os bancários e com a população, que precisa de atendimento. Não vamos aceitar essa política dos bancos de rebaixamento dos nossos salários e de intensificação das péssimas condições de trabalho”, enfatiza o coordenador do Sindibancários/ES, Jonas Freire.

A rodada de negociação teve início na terça-feira, 27, quando os trabalhadores já haviam afirmado que só negociaram o modelo bianual caso a proposta contemplasse ganhos reais para a categoria e as reivindicações de saúde, condições de trabalho, emprego, segurança e igualdade de oportunidades, o que não aconteceu. A pauta social da categoria foi ignora, e a proposta de remuneração não reflete a lucratividade dos bancos.

Lucros

Os lucros dos bancos permanecem nas alturas, enquanto muitos setores registram perdas. Os cinco maiores bancos brasileiros (Bradesco, Itaú Unibanco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) apresentaram, no primeiro semestre de 2016, o lucro líquido de R$ 29,7 bilhões.

A população também sente no bolso a ganância dos banqueiros. Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (28) pelo Banco Central, revela que a taxa de juros do cheque especial bateu novo recorde de julho para agosto, e chegou a 321,1% ao ano.
Os juros do cartão de crédito não param de subir. Em agosto, na comparação com o mês anterior, houve alta de 3,5 pontos percentuais, com a taxa em 475,2% ao ano. Neste ano, essa taxa já subiu 43,8 pontos percentuais.

Principais reivindicações dos bancários:

• Reajuste salarial: reposição da inflação (9,62%) mais 5% de aumento real.
• PLR: 3 salários mais R$8.317,90.
• Piso: R$3.940,24 (equivalente ao salário mínimo do Dieese em valores de junho último).
• Vale alimentação no valor de R$880,00 ao mês (valor do salário mínimo).
• Vale refeição no valor de R$880,00 ao mês.
• 13ª cesta e auxílio-creche/babá no valor de R$880,00 ao mês.
• Melhores condições de trabalho com o fim das metas abusivas e do assédio moral que adoecem os bancários.
• Emprego: fim das demissões, mais contratações, fim da rotatividade e combate às terceirizações diante dos riscos de aprovação do PLC 30/15 no Senado Federal, além da ratificação da Convenção 158 da OIT, que coíbe dispensas imotivadas.
• Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS): para todos os bancários.
• Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós.
• Prevenção contra assaltos e sequestros: permanência de dois vigilantes por andar nas agências e pontos de serviços bancários, conforme legislação. Instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento e biombos nos caixas. Abertura e fechamento remoto das agências, fim da guarda das chaves por funcionários.
• Igualdade de oportunidades: fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais e pessoas com deficiência (PCDs).

Com informações da Contraf

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