Fenaban não traz proposta global e negociação continua na quarta (28)

Uma nova reunião de negociação está marcada para esta quarta-feira, 28, às 15 horas, para dar continuidade às negociações.

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A reunião entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), realizada na tarde desta terça-feira, 27, terminou sem uma proposta global. A Fenaban propôs apenas uma alteração no modelo de Acordo formalizado com os trabalhadores. A entidade patronal quer a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), firmada anualmente a partir da data-base da categoria, em 1º de setembro, passe a ter validade de dois anos (2016 e 2017).

Uma nova reunião de negociação está marcada para esta quarta-feira, 28, às 15 horas, para dar continuidade às negociações. A expectativa é que os bancos apresentem finalmente uma proposta global para a categoria.

Na avaliação do coordenador geral do Sindicato, Jonas Freire, a ampliação da validade do Acordo pode ser negativa.

“Os bancários têm discutido, pelo menos nos últimos 10 anos, uma pauta para a garantia de emprego e condições de trabalho, e os bancos nunca resolveram nenhum desses problemas. Se com acordo de um ano eles não querem dar essas garantias, imagine com a validade de dois anos. O que os bancos querem é desarticular a categoria e esvaziar o momento de maior mobilização e unidade, que é o período de greve. Por isso os bancários devem ser cautelosos. Podemos ficar dois anos com o Acordo que não prevê as condições ideais de trabalho, sem a possibilidade de nos mobilizar para mudar essa realidade”, diz.

O Comando Nacional dos Bancários enfatizou que só aceitará discutir o novo modelo caso os bancos apresentem proposta que contemple a garantia do emprego, com o fim das demissões e mais contratações de bancários, e as reivindicações de saúde, condições de trabalho, segurança, igualdade de oportunidades e valorização salarial.

 “Os bancários querem respeito. Os bancos lucraram, só no primeiro semestre do ano, R$ 29,7 bilhões. É inadmissível que o setor mais rentável da economia se recuse a apresentar uma proposta digna aos seus trabalhadores, que são os principais responsáveis pelos seus lucros. Nossa greve segue forte, unificada, e continuaremos organizados pelos nossos direitos”, saliente Idelmar Casagrande, que representa o Sindibancários/ES e a Intersindical no Comando Nacional da categoria.

A greve dos bancários chegou ao seu 22º segundo dia, com mais de 13 mil agências e 40 centros administrativos em todo o país, e 354 agências fechadas no Espírito Santo. O número já representa recorde de adesão no Estado.

Negociações

A última proposta dos bancos foi apresentada no dia 09 de setembro, de reajuste de 7% no salário e abono de R$ 3,3 mil. Desde então, três rodadas de negociação aconteceram, sem avanços. O reajuste indicado não cobre a inflação do período, calculada em 9,62% em agosto (INPC), e representaria perda de 2,39% para cada bancário e bancária. A proposta foi rejeitada pelo Comando ainda na mesa de negociação. Antes, os bancos haviam proposto reajuste de 6,5% para salários e benefícios, e abono de R$ 3 mil.

Emprego Bancário

Segundo a Pesquisa do emprego Bancário (PEB), divulgada recentemente pela Contraf, no período de janeiro a agosto de 2016 foram fechados 9.104 postos de trabalho bancário no Brasil. Esse total representa um aumento de 51,7% em relação ao mesmo período no ano passado, quando foram extintos 6.003 postos de trabalho. A quantidade de postos de trabalho fechados de janeiro a agosto de 2016 chega perto da de todo o ano de 2015, que foi 9.886.

Principais reivindicações dos bancários

  •  Reajuste salarial: reposição da inflação (9,62%) mais 5% de aumento real.
    •    PLR: 3 salários mais R$8.317,90.
    •    Piso: R$3.940,24 (equivalente ao salário mínimo do Dieese em valores de junho último).
    •    Vale alimentação no valor de R$880,00 ao mês (valor do salário mínimo).
    •    Vale refeição no valor de R$880,00 ao mês.
    •    13ª cesta e auxílio-creche/babá no valor de R$880,00 ao mês.
    •    Melhores condições de trabalho com o fim das metas abusivas e do assédio moral que adoecem os bancários.
    •    Emprego: fim das demissões, mais contratações, fim da rotatividade e combate às terceirizações diante dos riscos de aprovação do PLC 30/15 no Senado Federal, além da ratificação da Convenção 158 da OIT, que coíbe dispensas imotivadas.
    •    Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS): para todos os bancários.
    •    Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós.
    •    Prevenção contra assaltos e sequestros: permanência de dois vigilantes por andar nas agências e pontos de serviços bancários, conforme legislação. Instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento e biombos nos caixas. Abertura e fechamento remoto das agências, fim da guarda das chaves por funcionários.
    •    Igualdade de oportunidades: fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais e pessoas com deficiência (PCDs).
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