Fenaban nega reivindicações de segurança e igualdade de oportunidades na segunda rodada de negociação da CS 2014

Descaso. Esse foi o tratamento dado às pautas de segurança e igualdade de oportunidades apresentadas pela categoria na segunda rodada de negociação entre Comando Nacional dos Bancários e Fenaban, que começou ontem, em São Paulo, e terminou nesta quinta-feira, 28. “Nem mesmo no Dia do Bancário e da Bancária a Fenaban demonstrou respeito ou consideração […]

Descaso. Esse foi o tratamento dado às pautas de segurança e igualdade de oportunidades apresentadas pela categoria na segunda rodada de negociação entre Comando Nacional dos Bancários e Fenaban, que começou ontem, em São Paulo, e terminou nesta quinta-feira, 28.

“Nem mesmo no Dia do Bancário e da Bancária a Fenaban demonstrou respeito ou consideração com a categoria. Apesar dos bilhões de lucro, os bancos continuam implementando uma gestão que tem como foco os resultados econômicos ao invés dos seres humanos. Mesmo com altos índices de violência e desigualdades marcantes, a Fenaban se recusou a atender as reivindicações da categoria”, critica Carlos Pereira de Araújo, Carlão, coordenador geral do Sindicato dos Bancários/ES e membro do Comando Nacional de negociações.

Igualdade de Oportunidades

Na negociação de igualdade de oportunidades, realizada nesta quinta-feira, 28, houve conquista apenas em relação à cláusula 72, que trata do combate ao assédio sexual nos bancos. A Fenaban aceitou realizar uma campanha conjunta com as entidades sindicais de combate ao assédio sexual, com distribuição de cartilhas, realização de debates e palestras. Apesar disso, a Federação se negou a incluir na Convenção Coletiva de Trabalho a cláusula da minuta de reivindicações da categoria sobre o tema.

O Comando Nacional dos Bancários cobrou também a democratização do acesso de mulheres, negras, indígenas, homoafetivos e deficientes nos processos de contratação das instituições financeiras, bem como o respeito à igualdade de tratamento entre homens e mulheres nos processo seletivos internos, mas as reivindicações foram negadas.

“As mulheres são metade da categoria, têm comprovadamente maior escolaridade que os homens bancários e ainda assim não conseguem ter representatividade nos altos postos dos bancos. Para combatermos essa diferença, é preciso implementar processos de seleção objetivos e bem definidos, que garantam transparência e a mesma oportunidade de ascensão profissional a homens e mulheres”, destaca Carlão, coordenador geral do Sindicato/ES.

O estabelecimento 20% de cotas para contratação de negros também foi reivindicado, mas recebeu a negativa dos banqueiros. “Pesquisa do movimento sindical mostra que 79% da categoria se reconhece branca, 17% negra e parda e 2% negra. Os dados revelam uma contradição com a realidade brasileira, em que a maioria população é de afrodescendentes, e mostra a reprodução do racismo nos bancos”, diz Carlão.

Entraram na pauta também a negociação das demandas dos bancários com deficiência, como garantia de transporte especial, acessibilidade e questões de inclusão e capacitação, mas sem avanços.

Censo da Diversidade

Ficou só na expectativa a apresentação do resultado do II Censo da Diversidade, aplicado entre 17 de março e 9 de maio para a categoria. A Fenaban anunciou que só revelará o resultado da consulta no dia 15 de setembro.

“O censo permitiria um diagnóstico mais preciso e atual sobre o perfil da categoria e sobre as desigualdades. Contudo, mais de três meses após a aplicação da consulta, a Fenaban ainda não tem os resultados”, diz Carlão.

O último Censo, realizado em 2008, apontava as mulheres ganhavam 78% dos salários dos homens e encontravam mais obstáculos para a ascensão profissional. Além disso, apenas 19,5% dos bancários eram negros ou pardos, com ganho médio de 84,1% do salário dos brancos; e que na categoria, entre as mulheres, apenas 8% eram negras.

Segurança

Nos primeiros seis meses de 2014, 32 pessoas foram assassinadas em assaltos envolvendo bancos – uma média de 5 mortes por mês –, número 6,7% maior que o do mesmo período do ano anterior. Os dados são da Pesquisa Nacional de Mortes em Assaltos envolvendo Bancos, feita pela Contraf e CNTV, com apoio do Dieese, e foram apresentados pelo Comando Nacional dos Bancários na mesa de negociação com a Fenaban nesta quarta-feira, 27, que debateu os temas de segurança.

O Comando também apresentou os números da Pesquisa Nacional de Ataques a Bancos, elaborada pela Contraf, CNTV e Fetravisp e Dieese, que revelam 1.693 ocorrências no primeiro semestre do ano, sendo 403 assaltos e 1.290 arrombamentos – um crescimento de 9,1% em relação ao mesmo período do ano passado.

Apesar dos dados, a Fenaban se recusou a negociar a pauta da categoria. Os bancos questionaram a pesquisa do movimento sindical e apresentaram a estatística semestral da Febraban, que apurou apenas 186 ocorrências no mesmo período.

Reivindicações

O Comando enfatizou a necessidade de prevenção contra seqüestros, que atingem principalmente gerentes e tesoureiros. Os bancários defenderam o fim da guarda das chaves de agências e postos de atendimento por bancários ou por vigilantes, reivindicando que a abertura e o fechamento de cada estabelecimento sejam feitos por empresas especializadas em segurança ou por controle remoto. Os representantes dos bancos “empurraram” o debate para mesa temática de Segurança Bancária e não negociaram o ponto.

O fim das demissões e a concessão de estabilidade no emprego para as vítimas de assaltos e sequestros por 36 meses também foram cobrados. No entanto, os bancos não concordaram com qualquer garantia de emprego, alegando que a demissão é um “procedimento disciplinar” de cada instituição em caso de descumprimento de normas internas de segurança.

O Comando também defendeu mais equipamentos e medidas de prevenção, bem como a ampliação da assistência às vítimas de assaltos, sequestros e extorsões. Nenhuma das reivindicações foi acatada.

Adicional de 30% de risco de morte e mais vigilantes

A exemplo dos vigilantes que conquistaram adicional de periculosidade de 30% dos salários, através da lei nº 12.740/2012, o Comando reivindicou o pagamento do mesmo adicional para quem trabalha em agências, postos de atendimento e áreas de tesouraria.

O Comando reivindicou também o cumprimento da lei nº 7.102/83, que prevê no mínimo dois vigilantes por estabelecimento bancário, inclusive no intervalo de almoço, bem como a aplicação do plano de segurança aprovado pela Polícia Federal, e criticou a abertura de agências de negócios sem vigilantes e portas giratórias, que expõe trabalhadores e clientes a situações de alto risco.

Os representantes do Comando defenderam ainda o envio de cópia do Boletim de Ocorrência Policial (BO) dos assaltos e sequestros para o sindicato e a Contraf, como forma de acompanhar os casos. Mas os bancos negaram a demanda, alegando que se trata de informações confidenciais.

 
Calendário de negociações da Campanha 2014

Agosto
28 – Segunda rodada de negociações com a Fenaban
29 – Segunda rodada específica com a Caixa

Setembro
1º – Segunda rodada de negociação específica com o BB
2 – Negociação específica com o Santander
3 e 4 – Terceira rodada de negociação com a Fenaban
10 e 11 – Quarta rodada de negociação com a Fenaban
12 – Terceira rodada de negociação específica com o BB

 

Com informações da Contraf

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