Fibromialgia não é fruto da sua imaginação

De causa desconhecida, doença pode comprometer atividades rotineiras e gerar problemas psicológicos.

A fibromialgia é uma síndrome clínica que se manifesta pelo surgimento de dores por todo o corpo devido a um mau funcionamento do sistema nervoso central e do mecanismo de supressão da dor. Nas pessoas doentes, a coordenação entre dor e analgesia não funciona direito, causando o desconforto.

A causa da doença ainda é desconhecida, mas sabe-se que infecções e traumas físicos ou emocionais podem estar ligadas a sua origem. Na maioria dos casos não são identificadas alterações em exames, o que dificulta o diagnóstico da síndrome, que pode ser confundida com outras patologias que apresentam sintomas similares. São usados 18 pontos anatômicos para a confirmação do diagnóstico, que é positivo quando há presença de dor em 11 dos 18 pontos dolorosos.

Outros sintomas podem surgir junto com o problema, como fadiga, falta de disposição, problemas intestinais e alterações do sono. Dados de um estudo brasileiro realizado no final dos anos 90 mostram que 30% dos pacientes fibromiálgicos exibiram depressão grave e 34% depressão moderada, enquanto 70% dos pacientes apresentaram traço de ansiedade significativa e 88% exibiram um estado de ansiedade alta.

A doença acomete de 7 a 9% da população mundial, em especial a camada feminina na faixa etária entre os 35 e 50 anos. As explicações para que as mulheres sejam mais atingidas vão de fatores biológicos à própria organização de gênero no trabalho: a sobrecarga gerada pela dupla jornada feminina – o trabalho formal e a execução de tarefas dentro de casa – limita o tempo disponível para repouso, facilitando a incidência de dores. Além disso, o sistema nervoso das mulheres produz menos serotonina, tornando-as mais propensas a manifestações psicossomáticas.

Por conta das dores e das implicações psicológicas, atividades rotineiras podem ficar comprometidas para os pacientes. No ambiente de trabalho, por exemplo, a carga horária excessiva, a pressão por produtividade e o mobiliário inadequado agravam o quadro. Além disso, pessoas com fibromialgia também estão sujeitas a sofrerem assédio e exclusão social por conta da falta de comprovações “concretas” das dores que sentem, daí a necessidade de se construir um ambiente de trabalho mais harmonioso e sensível a estas questões.

Se você é diagnosticado com a doença e percebe que o seu cotidiano no trabalho interfere nos sintomas, busque orientação com a Secretaria de Saúde do Sindibancários/ES.

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