Frente Capixaba de Lutas convoca reunião para discutir impactos do rompimento de barragens da Samarco

O mês de novembro começou com uma tragédia provocada pelo rompimento de duas barragens da mineradora Samarco, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, Minas Gerais. Diante dessa situação, a Frente Capixaba de Lutas realizará uma reunião na quarta-feira, 11, na sede do Sindicato dos Bancários/ES, com o objetivo de traçar estratégias de mobilização para […]

O mês de novembro começou com uma tragédia provocada pelo rompimento de duas barragens da mineradora Samarco, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, Minas Gerais. Diante dessa situação, a Frente Capixaba de Lutas realizará uma reunião na quarta-feira, 11, na sede do Sindicato dos Bancários/ES, com o objetivo de traçar estratégias de mobilização para que os responsáveis por esse crime sejam punidos e reparem os danos causados, como os impactos material, humano e ambiental. A reunião, que é aberta, será às 19h. O Sindibancários fica na rua Wilson Freitas, 93, Centro, Vitória.

De acordo com o diretor do Sindibancários, Carlos Pereira de Araújo, o Carlão, o Espírito Santo, que já convive com os impactos ambientais causados por grandes projetos, como Samarco e Vale, será atingido pela quebra das barragens. “Vivemos numa situação caótica. No Espírito Santo, estamos expostos à poluição por causa da atuação dessas e de outras empresas. Agora, a lama tóxica proveniente do rompimento das barragens está trazendo problemas como o comprometimento do abastecimento de água em municípios do norte capixaba, como Baixo Guandú e Colatina. É importante destacar que o Ministério Público Estadual de Minas Gerais alertou, em 2013, que as barragens poderiam romper. E nada foi feito para impedir”, afirma Carlão.

Segundo o biólogo André Ruschi, a lama tóxica chegará ao Oceano Atlântico. Isso pode causar a morte de diversas espécies de peixes, por exemplo, ou a contaminação deles, fazendo com que se tornem impróprios para o consumo por passarem a ser prejudiciais para a saúde humana . “Essa lama contém mineração de ferro, que tem materiais pesados, como arsênio, chumbo, cromo e mercúrio”, explica o biólogo.

Destruição em Minas Gerais

Ao todo, estima-se que cerca de 3 mil pessoas ficaram desabrigadas com a quebra das barragens em Mariana, segundo o coordenador estadual do Movimento dos Atingidos por Barragens de Minas Gerais, Pablo Andrade Dias. O estrago foi além de Bento Rodrigues, atingindo outros distritos, como Paracatu, e outros municípios mineiros, entre eles, Barra Longa, Santa Cruz do Escolvado e Rio Doce.

Em Barra Longa, por exemplo, Pablo afirma que são cerca de 600 desabrigados. Contudo, em comunicado oficial à imprensa, a mineradora Samarco reduz esse número para 21. Além disso, nesse mesmo comunicado, a empresa afirma que está dando a assistência necessária para as pessoas atingidas e alocou 626 desabrigados em hotéis. Entretanto, segundo Pablo, a realidade não é a que está sendo divulgada pela Samarco.

“A Prefeitura de Mariana foi quem deu auxílio, como assistência médica, além das doações que vieram de várias partes de Minas Gerais e do Brasil. Inicialmente as pessoas desabrigadas foram para o Centro de Convenções e para a arena. A Samarco só encaminhou as vítimas para os hotéis depois que o Ministério Público de Minas Gerais a notificou. E, mesmo assim, ela abrigou somente as pessoas de Bento Rodrigues. Integrantes da mesma família foram colocados em hotéis diferentes, a Samarco não dá para elas notícias das pessoas desaparecidas e parece querer manter uma vigilância constante”, relata Pablo.

De acordo com o coordenador estadual do MAB, o próximo passo do movimento será uma reunião com os atingidos pelo rompimento das barragens para montar uma pauta de reivindicações, que inclui questões como reconstrução das vilas e subsídio para manutenção das famílias atingidas.

Foto: Agência Brasil

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