Frente Capixaba de Lutas reúne cerca de 600 pessoas em protesto contra a Vale e Samarco

A Frente Capixaba de Lutas realizou na segunda-feira, 16, o Ato pela Vida e Contra o Assassinato do Rio Doce. Os manifestantes saíram da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e marcharam rumo à Vale, em Jardim Camburi. Entre as reivindicações estão a responsabilização completa da Samarco/Vale, negociação coletiva com o envolvimento das famílias atingidas, […]

A Frente Capixaba de Lutas realizou na segunda-feira, 16, o Ato pela Vida e Contra o Assassinato do Rio Doce. Os manifestantes saíram da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e marcharam rumo à Vale, em Jardim Camburi. Entre as reivindicações estão a responsabilização completa da Samarco/Vale, negociação coletiva com o envolvimento das famílias atingidas, paralisação dos processos de licenciamento de construção e manutenção de barragens, consulta popular prévia para empreendimentos que interfiram no meio ambiente e na dinâmica de comunidades e que as mineradoras e demais empresas que exploram recursos naturais sejam 100% públicas com controle social e popular.

Cerca de 600 pessoas participaram do ato, que contou com a participação de diversos sindicatos e movimentos sociais, entre eles o Sindicato dos Bancários/ES. “É preciso apontar os verdadeiros culpados por esse crime, pois a grande mídia, com uma cobertura superficial, tem mascarado a realidade, protegendo os responsáveis por essa tragédia, que são a Vale e a Samarco. Essas empresas mataram não somente um rio, como também vidas humanas”, afirma o diretor do Sindibancários Derik Bezerra.

teatro - manifestação

 A concentração do ato foi na Ufes, campus de Goiabeiras. Fotos: Sérgio Cardoso

 

Ao sair da Ufes, campus de Goiabeiras, os manifestantes passaram pela Mata da Praia, Avenida Adalberto Simão Nader, Avenida Dante Michelini e seguiram para a Vale, em Jardim Camburi. O cirurgião dentista Carlos Roberto Augusto, que estava fazendo exercícios no calçadão de Camburi, aderiu ao protesto. Ele é natural de Baixo Guandú, onde a lama com resíduos tóxicos proveniente do rompimento das barragens da Samarco, em Mariana, chegou na segunda-feira, 16. “A Vale vem matando o Rio Doce há tempos. A estrada de ferro, por exemplo, foi construída muito próxima ao rio. A empresa nunca se preocupou com as comunidades, sempre a atropelou em favor de seus interesses”, afirma Carlos, que nasceu e foi criado no município.

Outra cidade capixaba diretamente atingida pelo crime cometido pela Samarco/Vale é Colatina, que, assim como Baixo Guandú, é banhada pelo Rio Doce. “Cresci vendo o Rio Doce, símbolo de Colatina. O rio para mim sempre significou vida por causa das inúmeras colônias de pescadores que existem ao longo dele e vivem da pesca. Meu sentimento diante de tudo isso é de indignação e revolta”, diz o diretor do Sindibancários Igor Bongiovani, que nasceu e cresceu em Colatina.

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