“GDP leva ao assédio moral e ao adoecimento”, diz Plínio Pavão

Plínio Pavão também criticou o vocabulário utilizado na cartilha do GDP, que ele considera enigmático, pois não é esclarecedor para os trabalhadores e trabalhadoras. Além disso, destacou outros pontos, como a quebra do trabalho em equipe, causada pelas metas

A programação do Seminário Estadual sobre Saúde Caixa, Funcef e Previdência teve prosseguimento na tarde desta sexta-feira, 18, com painel RH 205 GDP – Caixa, meritocracia e assédio moral, com o assessor da diretoria da Fenae Plínio Pavão. O painel ocorreu após o debate sobre o Painél “Funcef – Déficits e Equacionamento”, que ocorreu na parte da manhã.

Plínio Pavão, assessor da diretoria da Fenae

Plínio Pavão fez críticas ao caráter meritocrático do GDP, pois é um mecanismo que compara as pessoas de forma inadequada, individualiza um trabalho que é coletivo, para o qual todos colaboram para se chegar a um resultado. O assessor da diretoria da Fenae destacou que com esse discurso meritocrático a Caixa deixa de lado as desigualdades existentes, como as de gênero e as que envolvem as pessoas com deficiência.

“Com essa lógica meritocrática, os bancários e bancárias deixam de trabalhar em equipe. O ambiente de trabalho vira um local de disputa. As metas impostas pelo banco levam ao assédio moral e, consequentemente, ao adoecimento”, diz Plínio.

Algumas das outras críticas feitas pelo assessor da diretoria da Fenae em relação ao GDP foram o fato de que a cartilha tem uma linguagem enigmática, ou seja, não esclarece bem os trabalhadores e trabalhadoras sobre o assunto; é ameaçadora, pois fala que haverá consequências para os bancários e bancárias após o final do processo; além de não estar claro em que medida essa política será conciliada com outras já existentes, como a promoção por mérito.

Segundo a diretora do Sindicato dos Bancários/ES Rita Lima é preciso resistir contra o GDP.

“O movimento sindical é contrário ao GDP. Aqui no estado fizemos um levantamento do assédio moral na Caixa e percebemos que há um percentual bem significativo para levar ao Ministério Público. Porém, esse é um tipo de iniciativa que deveria ser feita em todo o Brasil, não somente no Espírito Santo. Defendo que para derrubar o GDP temos que pegar o gancho da institucionalização do assédio, nos unindo em nível nacional. A gente precisa resistir”, destaca Rita Lima.

Saúde Bancária

Plínio Pavão apresentou dados sobre a questão da saúde entre os bancários e bancárias e entre os trabalhadores e trabalhadoras da Caixa especificamente. Segundo números do Ministério da Previdência Social, em pesquisa realizada em 2013, as doenças que mais afetam os esses profissionais são LER/DORT e as relacionadas à saúde mental (depressão, síndrome do pânico, entre outros). Em 2014 o Anuário Estatístico da Previdência Social mostrou que dos 681 funcionários e funcionárias da Caixa diagnosticados com doenças relacionadas à saúde mental 137 foram considerados acidente de trabalho. Dos 508 casos de LER/DORT, 50 foram considerados acidente de trabalho.

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