Gilberto Occhi: a Caixa na esteira do golpe

Vamos lutar incansavelmente contra os golpistas para defender a manutenção da Caixa 100% Pública e restabelecer a democracia. Manter a Caixa 100% Pública não se descola de um projeto de Brasil.

Semanas antes da votação no Senado consolidar o golpe que abateu o mandato de Dilma Rousseff, os brasileiros começaram a assistir um governo sem votos ser montado com a escória política nacional e ganhar láureas de salvador do Brasil. Um governo que, no dia anterior à votação que afastou a presidenta, apresentou o plano de liquidação da Caixa Econômica Federal, patrimônio emblemático do povo brasileiro e principal promotor das políticas públicas no país.

O ministro das Cidades, Gilberto Occhi, durante assinatura de contratos de infraestrutura urbana com o Governo de São Paulo (José Cruz/Agência Brasil)

O ministro das Cidades, Gilberto Occhi, durante assinatura de contratos de infraestrutura urbana com o Governo de São Paulo (José Cruz/Agência Brasil)

Não nos surpreende, dessa forma, que Michel Temer, hoje a face das forças conservadoras que tomaram o Brasil, tenha apresentado as pretensões de seu governo e, inclusive, o provável nome do novo presidente da Caixa ainda antes de subir de forma indigna a rampa do Planalto.

A Caixa sempre esteve sob a mira dos conservadores, pois são de responsabilidade da Caixa a operação dos programas de financiamento da casa própria, o Fundo de Garantia do Trabalhador Social, os programas de capilarização do saneamento básico, de crédito educativo e muitos outros programas operados a juros populares e responsáveis pela diminuição de desigualdades no Brasil de outrora e ainda, infelizmente, no contemporâneo.

Gilberto Occhi, o futuro presidente da Caixa, tem 36 anos de Caixa. Nestas décadas teve oportunidades de operar os programas que fazem da Caixa uma instituição relevante para os brasileiros. É ultrajante e vergonhoso que um funcionário de carreira assuma a presidência do banco para destruí-lo.

Primeiro produzir liquidez no banco com a abertura do capital do setor lotérico, de cartões e de seguros para, posteriormente, levar à bolsa um patrimônio avaliado em R$ 40 bilhões. Se tais setores a serem liquidados possuem muito potencial a ser explorado, como afirmou Occhi ao jornal Estado de São Paulo, nos indigna que sejam usados como peças descartáveis para o banco público e chamarizes para as aves de rapina que sobrevoam as bolsas de valores mundo afora.

É preciso dizer que o que está em curso é, sim, um golpe. Não apenas contra o governo de Dilma Rousseff. Mas contra as instituições democráticas que foram duramente conquistadas e, logo se perceberá, contra os direitos civis e a classe trabalhadora. Sob o pretexto hipócrita de combate à corrupção, forças conservadoras, com o apoio da grande mídia, avançam para implementar o projeto que foi derrotado nas quatro últimas eleições.

Um projeto promotor de desigualdades e de afirmação de uma única força: o capital que engole a democracia ao colocar as instituições e os poderes no mesmo saco grotesco em que repousa a grande mídia, fiel defensora dos interesses estrangeiros.

Vamos lutar incansavelmente contra os golpistas para defender a manutenção da Caixa 100% Pública e restabelecer a democracia. Manter a Caixa 100% Pública não se descola de um projeto de Brasil. Temos dias, semanas e árduos meses pela frente. Precisamos de união e força, pois defender a Caixa é defender o Brasil.

Com informações do Estadão.

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