Golpe reafirma necessidade de ocupar as ruas

Na tarde desta quarta-feira, 31, foi concluído o processo de impedimento da presidenta Dilma Rousseff (PT). Sem comprovação de crime de responsabilidade, a presidente foi afastada em definitivo, consolidando o golpe contra a democracia brasileira orquestrado por Michel Temer  (PMDB), Eduardo Cunha (PMDB) e as elites nacionais e internacionais. O que parecer ser o ato […]

Na tarde desta quarta-feira, 31, foi concluído o processo de impedimento da presidenta Dilma Rousseff (PT). Sem comprovação de crime de responsabilidade, a presidente foi afastada em definitivo, consolidando o golpe contra a democracia brasileira orquestrado por Michel Temer  (PMDB), Eduardo Cunha (PMDB) e as elites nacionais e internacionais.

O que parecer ser o ato final de derrubada de uma governante, marca na verdade apenas o início do golpe contra o povo brasileiro. Povo este que já vinha sofrendo os reflexos da política econômica aplicada pelo PT, com o ajuste fiscal, o arrocho aos trabalhadores e as privatizações. Foi essa política, em grande medida, a responsável pela perda da credibilidade do governo petista e pela desorganização de sua base social. Em nome da governabilidade, o Partido dos Trabalhadores se afastou de seu programa originário, se aliançou a siglas tradicionais e, junto delas, se envolveu em flagrantes casos de corrupção.  Mas não foram essas as reais motivações do impeachment. O rompimento com o projeto petista parte da necessidade de ampliar a agenda conservadora e neoliberal no Brasil, projeto que Temer começou a implementar já nos primeiros dias de mandato como interino.

Com o apoio de um Congresso conservador e vinculado às elites empre­sariais, religiosas e ruralistas, Michel Temer encaminha um pacote de medidas para a privatização do patrimônio público e a desregulamentação da legislação traba­lhista, que vai afetar diretamente as condi­ções de trabalho e de vida da população, principalmente do povo mais pobre. Seu mandato, mesmo quando interino, começou com a extinção de ministérios sociais. Na esteira do futuro, vem o desmonte do SUS, a privatização da saúde e da educação, e uma reforma da previdência que acabará de vez com a seguridade social no país.

Junto com as medidas do governo, o Congresso Nacional, corrupto e também ilegítimo, amplia a pauta conservadora com projetos que liberam a terceirização irrestrita (PLC 30/2015), retiram direitos dos servidores públicos e congelam os gastos públicos para áreas sociais por até 20 anos, em detrimento do pagamento da Dívida Pública (PLP 257 E PEC 241).

Essa agenda virá acompanhada também do aumento da repressão e da criminalização dos movimentos sociais, que não irão se acovardar diante do golpe. É hora de ocupar as ruas em defesa dos direitos e da democracia. Fora Temer deve ser a bandeira de todo o povo brasileiro.

A falta de legitimidade que atinge o Executivo atinge também o legislativo, com parlamentares em sua maioria corruptos, que foram coniventes com o golpe mesmo sem elementos comprobatórios de crime de responsabilidade. Não aceitaremos o governo golpista de Temer, tampouco a composição do Congresso Nacional, atolada em corrupção e no fisiologismo eleitoral. Por isso, reafirmamos que a saída deve ser através de eleições gerais que devolvam ao povo o direito de escolher seu representante. Enquanto isso, estaremos nas ruas, resistindo às ofensivas neoliberais e às tentativas de retirada de direitos. Vamos juntos construir a Greve Geral por emprego e salário, e contra o ajuste fiscal e a retirada de direitos!

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