Governo avança sobre bancos públicos com anúncio de desmonte do BB

Plano de reestruturação divulgado pelo governo propõe liquidação de 402 agências, transformação de outras 379 em postos de atendimentos e aposentadoria de 18 mil empregados

Os bancários e bancárias do Banco do Brasil sofreram novo golpe neste domingo. Sob o comando do governo golpista de Michel Temer (PMDB), o BB anunciou fechamento de 402 agências e a transformação de outras 379 em postos de atendimento. A medida faz parte de um pacote de reestruturação, ou de desmonte do BB, e inclui ainda a um Plano Extraordinário de Aposentadoria Incentivada (PEAI), que pretende atingir 18 mil empregados, e o encerramento de 31 superintendências regionais.

De acordo com a nota divulgada, “apenas com a reorganização de suas unidades, o BB estima redução anual de R$ 750 milhões em despesas”. O desmonte vai impulsionar o atendimento digital, informa o banco no plano de desmonte, muito criticado pelos bancários que assumiram funções nas agências digitais criadas de forma experimental pelo banco. Em outubro, o banco já havia iniciado o fechamento de outras 51 agências físicas.

No Espírito Santo quatro agências estão no programa de desmonte, as unidades Moscoso e Rio Branco, em Vitória, que serão fechadas, e as agências Expedito Garcia, em Cariacica, e Jardim Limoeiro, em Serra, que serão transformadas em postos de atendimentos. Os gestores das agências já foram avisados sobre o fechamento nesta segunda, apesar do banco não ter divulgado a data da intervenção na agência.

Sem debate prévio com o corpo funcional e as entidades de representação da categoria bancária, o BB comunicou primeiro ao mercado e à imprensa a decisão sobre a intervenção. Como a categoria, o Sindibancários/ES recebeu a notícia com indignação, mas sem surpresa.

O Sindicato vai realizar no dia primeiro de dezembro uma plenária para discutir abertamente com os bancários do BB a proposta de desmonte. Até lá, a entidade vai apurar o real impacto do desmonte e agendar, ainda durante esta semana, uma conversa com os bancários capixabas diretamente atingidos pela alteração do plano de funções.

O Sindicato recomenda expressamente aos bancários a aguardarem a plenária do dia primeiro para se decidirem sobre adesão ao plano de aposentadoria.

“O governo ignora o empenho dos empregados e das entidades de classe que trabalham cotidianamente para garantir os altos lucros do Banco do Brasil ao implementar uma política de mais arrocho para o  trabalhador e de sucateamento dos serviços prestados pelo banco. Tal agenda diz muito sobre o avanço da lógica pró-mercado implementada pelo governo golpista na governança das empresas públicas, e, nos bancos, representada pelo Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e pelo presidente BB, Paulo Rogério Caffarelli, ambos representantes dos interesses das instituições financeiras privadas no comando dessa reestruturação. Rechaçamos a proposta com veemência, pois ela aponta para uma política de aprimoramento da exploração dos trabalhadores com a ênfase nas agências digitais e, de forma macro, de solvência do BB, com o objetivo de desvalorizá-lo para posterior privatização. Também rechaçamos o método escolhido pelo banco para comunicar aos empregados medida que impactará milhares de bancários em atividade e aposentados, além da extensa clientela do banco”, avalia Goreti Baroni, diretora do Sindicato dos Bancários do Espírito Santo.

Agência digital: precarização do trabalho

O anúncio deixa evidente a mudança de foco do banco, com a priorização das ferramentas de atendimento digital. Esse modelo de agência já está em funcionamento desde 2015 e é direcionado para cliente de alta renda. A promessa é de agilidade no atendimento aos clientes e redução de custos, no entanto a realidade para os bancários nesse modelo de agência é de sobrecarga de trabalho, desrespeito à jornada e aumento da pressão pelo cumprimento de metas.

Como o atendimento nas agências digitais é online ou via telefone, o bancário é monitorado durante todo o expediente pelo seu gestor, que pode acessar a tela de trabalho do empregado e controlar, via um software, o tempo gasto em cada ação, como leitura de e-mails e circulares. O desrespeito à Norma Regulamentadora (NR) 17 é outra grave violação dos direitos dos trabalhadores. O formato do BB Digital inclui os bancários nas condições similares a de telemarketing, o que garante ao empregado o direito dois intervalos de 10 minutos contínuos, após a primeira e antes da última hora de atividade.

Bancário da primeira agência BB digital de Brasília relatou ao Sindibancários/ES as precárias condições de trabalho a que foi submetido. O relato é do primeiro semestre de 2016.

“Vivemos em um ambiente maçante no BB Digital. O banco ampliou a quantidade de clientes e as metas. Além disso, implantou esse modelo sem sequer oferecer treinamento e estrutura adequada para os bancários. Estamos enfrentando esses e outros problemas, mas o banco não dialoga com os empregados. Como será o atendimento com metas altas, carteiras cheias e com desigualdade nas condições de trabalho entre a rede de atendimento e os escritórios? Por nossa iniciativa, tentamos manter um ambiente de trabalho mais agradável, mas a realidade é que estamos em cubículos, com nossos computadores e com altas metas para cumprir. Muitos colegas estão adoecendo devido esse ambiente de forte estresse”.

Se antes o bancário atendia um cliente por vez, nos escritórios de BB Digital ele terá que atender vários ao mesmo tempo e por canais diferentes: SMS, e-mails, telefone e videoconferência.

 

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