Greve dos petroleiros: refinarias são alvo de ação de militares

Greve dos Petroleiros teve início nesta quarta-feira. Categoria luta pela redução do preço do gás de cozinha e do combustível

Em uma ação de violação do direito de greve dos trabalhadores, militares do exército ocuparam, com ajuda de Policiais Militares, a Refinaria Henrique Lage (REVAP), localizada em São José dos Campos, Vale do Paraíba (SP) nesta manhã de quarta-feira (30).

A greve de advertência de 72 horas iniciada pelos petroleiros hoje tem como objetivo a defesa da Petrobras, a mudança da política de preços dos combustíveis (diesel, gasolina e gás de cozinha) e a retirada de Pedro Parente da presidência da empresa. A categoria denuncia a subutilização das refinarias da Petrobras, que estão operando com apenas 70% da capacidade. Essa é uma das manobras para criar as condições para a privatização. Quatro delas já foram indicadas para a venda em anúncio do presidente da empresa.

No Vale do Paraíba, na REVAP, o exército retirou os bloqueios na Rodovia Presidente Dutra, e opera para desmobilizar a greve por meio do desvio dos ônibus que transportam os funcionários, a fim de impedir o contato dos trabalhadores que iniciam o seu turno com aqueles que estão paralisados e realizam um piquete desde a madrugada de hoje.

Os militares se encontram no interior da empresa, em uma ação que pode ser definida como coação ao direito de greve, um verdadeiro crime contra as garantias da Constituição Federal.

AGU pede intervenção militar

A ação dos militares foi requerida pela presidência da empresa e pela Advocacia-Geral da União (AGU) que apresentou petição ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) sob alegação que a greve teria caráter abusivo e político. A Ministra do TST, Maria de Assis Calsing concedeu a liminar no dia de ontem (29) e determinou multa de R$ 500 mil por dia de paralisação.

A decisão da Ministra do TST é arbitrária, desrespeita do direito de greve garantido na Constituição e coloca em risco milhares de trabalhadores que hoje paralisam suas atividades em defesa da Petrobras em todo o País.

A Intersindical repudia o papel que o Exército tem desempenhado na paralisação do dia de hoje, pois as Forças Armadas tem o dever de defender a soberania nacional e não servir de bate-pau dos interesses dos acionistas privados da Petrobrás. Repudiamos ainda a liminar da Ministra do TST, pois a greve de hoje não é abusiva, é legalmente legítima, e tem como principal objetivo defender a Petrobras pública, ameaçada de privatização, que se realizada irá causar aumento dos preços dos combustíveis, desemprego e dependência energética do país.

Os petroleiros estão mobilizados em todo o país para defender que cada brasileira e brasileiro tenham acesso a um combustível nacional (gás de cozinha, gasolina e diesel) em um preço justo. Só não apoia a greve quem é contra a soberania energética brasileira e só defende os interesses dos ricos acionistas, principalmente estrangeiros.

Fonte: Intersindical 

 

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