Greve geral é vitoriosa e demonstra acirramento da luta de classes no Brasil

Na greve geral do dia 28 a classe trabalhadora deu uma resposta contundente e começa a acreditar na possibilidade de reverter as reformas.

Cem anos após a primeira greve geral no Brasil, em 1917, trabalhadoras e trabalhadores brasileiros deram novo exemplo de força ao paralisar na última sexta-feira, 28, os principais centros urbanos e setores produtivos do país em protesto contra as reformas trabalhista e da Previdência. Foi escrita assim uma página singular da história de resistência dos trabalhadores, que evidencia o acirramento do conflito de classes no país.

A elite empresarial ainda contabiliza os prejuízos, porque sim, são os trabalhadores e trabalhadoras que produzem a riqueza e é a sua força de trabalho que movimenta os setores comercial e de serviços. Ao contrário do que propagandeia a grande mídia corporativa, que a greve teria sido um movimento de poucos sindicalistas, a adesão chegou a um terço da população economicamente ativa do país – 40 milhões de pessoas – segundo estimativa da Intersindical – Central da Classe Trabalhadora. Em Vitória, quase 90% dos estabelecimentos comerciais, escolas, bancos e departamentos públicos ficaram fechados.

A imprensa, como parte do aparelho ideológico da classe dominante, optou por, nos dias seguintes à greve, dedicar páginas e páginas para a cobertura de conflitos entre grevistas e não grevistas e para os engarrafamentos decorrentes da ocupação de vias, mas silenciou sobre as motivações da greve e as consequências que as medidas em pauta no Congresso Nacional trarão para o povo brasileiro. Como era de se esperar, os veículos de imprensa não praticaram a liberdade de expressão e a democracia que tanto apregoam. Mas os trabalhadores têm suas próprias vozes, e elas gritaram juntas no dia 28, enviando ao Congresso Nacional e ao Palácio do governo um grito uníssono contra as reformas.

Michel Temer planeja seus próximos movimentos tentando acelerar a votação da reforma trabalhista no Senado e da reforma da Previdência na Câmara, mas sabe que contará com a resistência das ruas e que suas ações podem acirrar ainda mais o conflito social no país. Para um presidente com 5% de aprovação, a palavra de ordem “Fora Temer” pode se converter em prenúncio de sua queda. Mas Temer não é candidato, não está preocupado com seu capital político. Seu principal legado será justamente executar as reformas defendidas pela elite econômica nacional, que ainda dá sustentação ao seu governo. Para tanto, conta com o apoio da maioria do parlamento, desse mesmo parlamento cuja parte significativa dos representantes responde a processos por corrução.

Parte da responsabilidade de votar as reformas recai sobre os parlamentares capixabas, dos quais precisamos cobrar um posicionamento firme em defesa da Constituição Cidadã e dos direitos trabalhistas. Os capixabas estão alertas e qualquer defesa contrária poderá ter consequência nas urnas. A saber, votaram contra os trabalhadores e a favor da reforma trabalhista os deputados Evair de Melo (PV), Lelo Coimbra (PMDB), Marcus Vicente (PP), Norma Ayub (DEM) e Paulo Foletto (PSB).

Nem o governo Temer nem os atuais parlamentares brasileiros têm legitimidade para retirar direitos ou alterar a Constituição. Depois de revelado o maior escândalo de corrupção do país, que atinge largamente o poder Executivo e o Legislativo, a convocação de novas eleições gerais é prerrogativa para que o povo possa decidir quem serão seus representantes. Mas para além da via institucional, nossas principais conquistas virão da luta popular. Assim, o discurso de conciliação de classes propagado pelo próprio petismo nos seus anos de governo é colocado em xeque. Não é possível fazer alianças com aqueles que sempre atuaram dentro e fora do Estado para usurpar o povo brasileiro. A exemplo do dia 28 de abril, é hora de alimentar a esperança, fortalecer as mobilizações, greves, protestos de toda ordem para romper, finalmente, com a ordem opressora em que vivemos.

Na greve geral do dia 28 a classe trabalhadora deu uma resposta contundente e começa a acreditar na possibilidade de reverter as reformas. Novas greves gerais estão por vir e essas mobilizações não dizem respeito a grupo político “A ou B”. O processo de lutas em curso realça o movimento permanente das classes, um movimento antagônico, fruto do conflito de interesses inconciliáveis da classe trabalhadora, que pretende preservar direitos e garantir o seu sustento de forma digna, e da classe burguesa, que pretende manter seus lucros a todo custo, suplantando o que fora conquistado pelos trabalhadores. Para azar deles, estamos em maior número, mas ainda precisamos canalizar essa energia para a luta.

Veja galeria de fotos da greve geral

Fotos Sérgio Cardoso

Imprima
Imprimir