Greve geral: trabalhadores param contra a reforma da Previdência, por emprego e educação

Trabalhadores começaram o dia paralisando vários pontos da Grande Vitória. Depois, se reuniram em ato unificado em frente à Findes, numa crítica aos setores patronais que patrocinam a reforma da Previdência

Fotos: Sérgio Cardoso

O Brasil amanheceu em greve na sexta-feira, 14 de junho. Trabalhadores e trabalhadoras de diversas categorias se mobilizaram em atos unificados paralisando os principais setores produtivos do país, em protesto contra a reforma da Previdência, os cortes na educação e o desemprego.

Na Grande Vitória, bancários, rodoviários, estudantes, trabalhadores da limpeza, da saúde, professores, petroleiros, comerciários e outros profissionais fecharam pontos de acesso à capital, como a Terceira Ponte e a Vila Rubim. Aos poucos, as principais avenidas da cidade ficaram desertas, demonstrando o impacto e a força da greve geral. O ponto alto do movimento paredista aconteceu no início da tarde, com ato unificado em frente à Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), na Reta da Penha.

“É um dia especial e histórico. Em todos os cantos desse país, nas fábricas, nas cidades, nas rodovias, no campo, tem trabalhador e trabalhadora dizendo não à reforma da Previdência de Bolsonaro e Paulo Guedes. Não aceitaremos morrer trabalhando porque contribuímos a vida inteira e lutamos para conquistar o direito a uma aposentadoria digna. É preciso dizer em alto e bom som que os trabalhadores desse país, que produzem a riqueza, não aguentam mais perder direitos. E nós resistiremos, como resistimos à escravidão, à Ditadura de Vargas, à Ditadura Militar, nós resistiremos ao fascismo de Bolsonaro”, disse em tom vibrante a diretora do Sindibancários/ES Rita Lima, que participou da condução do ato representando a Intersindical.

O coordenador geral do Sindicato, Jonas Freire, falou sobre os interesses que estão por trás da reforma da Previdência e da precarização da educação pública, e da necessidade de uma mobilização mais ampla para romper em definitivo com o sistema de exploração e opressão em que vivemos.

“Não é à toa que Paulo Guedes quer implantar a capitalização nesse país. Para Guedes, que é banqueiro, a capitalização deu certo, porque os bancos ganharam muito dinheiro com a capitalização no Chile. Por isso ele quer a capitalização, e a gente que se dane! E é por isso também que temos que reagir, ir à luta. Não basta um, dois, três mil nas ruas; é preciso milhões para construir a nossa libertação de uma vez por todas, pra gente largar de vez essa miséria que querem nos impor. Querem cortar as verbas da educação pública, pois quem estuda na escola pública são os filhos dos trabalhadores. Para os filhos dos ricos, a educação está garantida, mas para garantir a educação dos nossos filhos precisamos estar nas ruas”, alertou Jonas.

Resistir, resistir, até a reforma cair

Para o Sindicato, o balanço da greve foi positivo, mas a reforma ainda não foi derrotada, o que requer maior pressão nas ruas e também sobre parlamentares.

“Existe um consenso entre governo, representantes de bancos e grandes empresas em torno da reforma. Mesmo partidos de centro e da direita tradicional que criticam o governo trabalham no sentido de aprovar o quanto antes a reforma da Previdência, por isso os trabalhadores precisam reforçar sua luta nas ruas e expor os parlamentares que se posicionam contra os trabalhadores”, afirma Carlos Pereira de Araújo (Carlão), diretor do Sindibancários/ES.

Interior

Bancários do interior do Estado também aderiram à greve geral. Em Colatina, teve passeata com representantes de sindicatos e movimentos sociais locais. Eles saíram da Praça do Sol Poente, no Centro, e seguiram pela Avenida Getúlio Vargas até a agência da Caixa Econômica, que não abriu devido à paralisação.

Em São Mateus manifestantes fecharam a avenida em frente ao campus da Ufes. Já em Linhares, o protesto começou com o retardamento da saída dos ônibus municipais. Depois, os trabalhadores seguiram em caminhada até o Centro da cidade, encerrando a manifestação com um ato público na Praça dos Correios.

Repressão

A atuação da Polícia Militar foi novamente violenta. Os trabalhadores foram reprimidos desde a madrugada, na ação de contenção dos ônibus nas garagens da Grande Vitória. Vários manifestantes foram detidos. Na concentração da Vila Rubim, policiais usaram spray de pimenta, sacaram armas e cassetetes contra os trabalhadores que participavam da manifestação.

 

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