Greve pressiona bancos e Fenaban convoca nova negociação para sexta

A reunião foi marcada para a sexta-feira (09), às 11 horas, em São Paulo.

Com 7.359 agências fechadas em todo o país nesta terça-feira – 255 só no Espírito Santo –, os bancários arrancaram nova negociação com a Fenaban. A reunião foi marcada para a sexta-feira (09), às 11 horas, em São Paulo.

“Nossa expectativa é que os bancos avancem nas negociações com uma proposta real de valorização, que contemple também as pautas de condições de trabalho, contratações, fim do assédio moral e das metas, segurança e igualdade de oportunidades. Não aceitaremos nova proposta rebaixada. Queremos negociação real”, diz Idelmar Casagrande, que representa os bancários capixabas e a Intersindical no Comando Nacional da categoria.

O primeiro dia de greve da categoria bancária em todo o Brasil é considerado o maior da história. Em resposta a proposta rebaixada da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), 7359 agências, centros administrativos, Central de Atendimento (CABB) e Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) tiveram as atividades paralisadas. Este número equivale a 31,25% do total de agências no Brasil, segundo dados do Banco Central. A adesão deste primeiro dia é 17,7% maior do que a do primeiro dia do ano passado. No Espírito Santo, a greve atingiu quase 63% das agências, e a expectativa é que esse percentual aumente no decorrer da paralisação.

Desde a data da entrega da minuta de reivindicações dos bancários à Fenaban, no dia 9 de agosto, já ocorreram cinco rodadas de negociações e os banqueiros não apresentaram proposta decente aos trabalhadores. A proposta que a Fenaban apresentou no dia 29 de agosto foi de reajuste de 6,5% no salário, na PLR e nos auxílios refeição, alimentação, creche, e abono de R$ 3 mil. A oferta não cobre sequer a inflação do período, projetada em 9,57% para agosto deste ano e representa perdas de 2,8% para os bancários.

Entre as reivindicações dos bancários estão: reposição da inflação do período mais 5% de aumento real, valorização do piso salarial, no valor do salário mínimo calculado pelo Dieese (R$3.940,24 em junho), PLR de três salários mais R$ 8.317,90, combate às metas abusivas, ao assédio moral e sexual, fim da terceirização, mais segurança, melhores condições de trabalho. A defesa do emprego também é prioridade, assim como a proteção das empresas públicas e dos direitos da classe trabalhadora.

Lucros exorbitantes

Com os lucros nas alturas, os cinco maiores bancos (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Caixa) lucraram R$ 29,7 bilhões no primeiro semestre de 2016, mas, por outro lado, houve corte de 7.897 postos de trabalho nos primeiros sete meses do ano. Entre 2012 e 2015, o setor já reduziu mais de 34 mil empregos.

Desemprego

Bancários e bancárias convivem com um ambiente de trabalho adoecedor, desgastando a sua saúde física e mental ao longo de jornadas de trabalho extenuantes, sem pausas para descanso, com metas de produção inalcançáveis e cada vez mais crescentes, convivendo com riscos de assaltos e de sequestros e tendo de dar conta de inúmeras tarefas. A última estatística divulgada pelo INSS, entre janeiro e março do ano passado, revelou que 4.423 bancários foram afastados do trabalho, sendo 25,3% por lesões por esforços repetitivos e distúrbios osteomusculares e 26,1% por doenças como depressão, estresse e síndrome do pânico.

Com informações da Contraf

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