HSBC acusado de lavagem de milhões por meio de filial suíça

Uma investigação que reuniu jornalistas de 45 países revelou no último domingo, 08, um grande esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o HSBC Britânico por meio de sua filial suíça. A operação, batizada de “Swissleaks”, mostrou um vasto sistema de evasão de divisas aceito e até mesmo encorajado pelo banco, que envolveria ditadores, políticos, membros […]

Uma investigação que reuniu jornalistas de 45 países revelou no último domingo, 08, um grande esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o HSBC Britânico por meio de sua filial suíça. A operação, batizada de “Swissleaks”, mostrou um vasto sistema de evasão de divisas aceito e até mesmo encorajado pelo banco, que envolveria ditadores, políticos, membros da realeza, executivos e estrelas de Hollywood.

As primeiras informações do esquema foram obtidas pelo ICIJ (The International Consortium os Investigative Journalists) por meio do jornal Francês Le Monde. Entre as atividades ilegais apuradas estão a ocultação de centenas de milhões de dólares das autoridades fiscais e a interseção de negócios com o crime internacional, como traficantes de armas e comerciantes de diamantes que operavam em zonas de guerra e vendiam gemas para financiar levantes que causaram inúmeras mortes.

São citados pela investigação o suíço Frantz Merceron, acusado de ser responsável por conduzir dinheiro do ditador e ex-presidente do Haiti Jean Claude “Baby Doc” Duvlaier, que teria roubado US$ 900 milhões antes de fugir de seu país; Gennady Timchenko, bilionário ligado ao presidente Russo Vladmir Putin; e Aziza Kulsum, apontado pela ONU como financiador da guerra civil no Burundi durante a década de 90.

O conjunto de dados secretos do HSBC inclui informações sobre 5.549 contas bancárias de brasileiros (pessoas físicas ou jurídicas) na Suíça. O saldo registrado para esses correntistas foi de US$ 7 bilhões. Os nomes dos correntistas não foram revelados. O HSBC afirmou ao ICIJ que “tomou passos significativos ao longo dos últimos anos para se desfazer de clientes que não cumpriam os novos e rigorosos padrões do banco”, e que está “integralmente comprometido a fornecer informações a autoridades”.

“Não é a primeira vez que o HSBC é envolvido em escândalos desse tipo. A denúncia deixa claro como o sistema financeiro está a serviços dos poderosos, servindo para financiar a injustiça e o crime em âmbito internacional. Daí a importância de haver um maior controle público e popular sobre suas atividades, inclusive com a estatização do sistema financeiro. As irregularidades acontecem em vários espaços, no Brasil, por exemplo, o HSBC consegue ‘maquiar’ frequentemente o balanço financeiro para não pagar a Participação nos lucros a seus empregados”, critica Fabrício Coelho, diretor do Sindicato dos Bancários/ES.

Com informações do Valor Econômico e Contraf

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