III Encontro Nacional de Mulheres Bancárias reflete sobre desigualdade de gênero

Entre os dias 25 e 27 de novembro bancárias de todo o Brasil se reuniram no Instituto Cajamar, em São Paulo, durante as atividades do III Encontro Nacional de Mulheres Bancárias, realizado pela Contraf. Foram três dias de debates sobre diversos temas ligados à questão de gênero. O evento terminou com a formação do Coletivo […]

Entre os dias 25 e 27 de novembro bancárias de todo o Brasil se reuniram no Instituto Cajamar, em São Paulo, durante as atividades do III Encontro Nacional de Mulheres Bancárias, realizado pela Contraf. Foram três dias de debates sobre diversos temas ligados à questão de gênero. O evento terminou com a formação do Coletivo Nacional de Mulheres. “O encontro é um espaço onde as mulheres podem discutir sobre a realidade da mulher bancária, buscando a construção coletiva de uma ação política que tenha como objetivo a igualdade social”, diz a diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Lucimar de Souza Barbosa. Além de Lucimar, participaram da atividade as diretoras Renata Rodrigues Garcia e Lizandre Borges.

O III Encontro Nacional de Mulheres Bancárias teve início com uma palestra sobre a revolucionária polonesa Rosa Luxemburgo. O segundo dia começou com uma mesa sobre análise de conjuntura, que teve como um dos palestrantes o representante da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) Néstor Bercovich. Ele mostrou dados que mostram a desigualdade entre homens e mulheres na América Latina. De acordo com uma pesquisa feita pela Cepal, cerca de 50% das mulheres latino americanas estão fora do mercado de trabalho. No Brasil, os números evidenciam que cerca de 9% das mulheres estão desempregadas, enquanto que os homens representam 5%.

“Essa realidade mostra que há um grande número de mulheres sem rendimento próprio, exercendo trabalho não remunerado, portanto, sem proteção social, sem direitos como a aposentadoria”, afirma Néstor. De acordo com ele, na América Latina uma em cada 10 mulheres está empregada no serviço doméstico. “Trata-se de uma das atividades laborais de pior remuneração”, diz Néstor. “O estudo é importante para conhecermos a realidade da mulher brasileira e termos noção de como seu trabalho ainda é desvalorizado, invisibilizado. Também é essencial para nos aprofundarmos nos estudos sobre a mulher de toda a América Latina”, avalia a diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Lizandre Borges.

Na tarde da terça-feira, 26, um dos destaques foi a palestra Articulação entre Trabalho Produtivo e Trabalho Reprodutivo, ministrada pela economista e assessora sindical Marilane Oliveira Teixeira. Segundo Marilane o Capitalismo aumentou ainda mais a desigualdade entre homens e mulheres. “Nesse sistema econômico é inconciliável a mulher estar no mercado de trabalho e na reprodução social, acirrando a opressão às mulheres no mercado. O papel dela no capitalismo acontece no âmbito privado, administrando nesse espaço os conflitos advindos de questões que vêm do mercado, como a concorrência”, diz a assessora sindical. De acordo com ela, a inserção da mulher no mercado de trabalho tem tido uma evolução irrisória. “De 1998 para 2011 o aumento foi de apenas 2%”, afirma.

No último dia de evento as participantes do Encontro conheceram dados de uma pesquisa feita pelo Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos com base nos dados da Rais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), apresentada pela técnica do Dieese-seção Contraf, Bárbara Vallejos Vazquez. De acordo com o estudo, nos bancos privados a diferença salarial entre homens e mulheres é maior. As bancárias recebem um salário 29% inferior ao dos bancários. Nos bancos públicos a diferença é de 15.1%. A desigualdade também está explícita na quantidade reduzida de mulheres que ganham os maiores rendimentos. As bancárias se concentram mais na faixa salarial entre cinco a sete salários mínimos, representando 20,9% do total de mulheres. Esse número cai para 7,2% entre as pessoas que ganham acima de 15 salários mínimos nos bancos. Nesse último caso, os homens correspondem a 16,7%, mais que o dobro.

A pesquisa também aponta o aumento da desigualdade entre homens e mulheres de acordo com o grau de escolaridade. Um bancário com doutorado ganha cerca de R$ 13.726,83. Já a bancária com a mesma titulação, R$ 7.436,02. A diferença salarial também impera nos seguintes graus de instrução: ensino médio (-15%), superior incompleto (-19%), superior completo (-27%) e mestrado (-33%). Portanto, quanto maior o grau de escolaridade, maior a desigualdade. No que diz respeito à faixa etária, o estudo mostra que as mulheres são maioria entre 17 e 39 anos, tornado-se minoria no setor após os 40 anos.

Coletivo Nacional

O III Encontro Nacional de Mulheres Bancárias foi encerrado com a criação do Coletivo Nacional de Mulheres. “O Coletivo tem como objetivo trabalhar os eixos de formação, luta e reflexão. Queremos formar mais mulheres, organizar para a luta e promover reflexão”, explica a Secretária da Mulher da Contraf, Deise Recoaro. O Coletivo será composto por uma titular por federação, que será uma bancária que está a frente da secretaria da mulher ou de políticas sociais de seu Sindicato. A suplente será escolhida pela federação.

“Acho muito importante a iniciativa de criar um Coletivo Nacional de Mulheres Bancárias. O Sindicato dos Bancários do Espírito Santo tem um Coletivo de Mulheres que atua há 20 anos e percebemos que, por meio de nossas atividades, como seminários, rodas de conversa e o Jornal 24 Horas, conseguimos avançar no diálogo com as mulheres bancárias, conhecer sua realidade e inserí-las na luta pela igualdade. O recorte de gênero é fundamental para incentivar a mulher a ocupar seu espaço no movimento sindical”, afirma Lucimar.

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