Mesmo com lucro bilionário, Itaú amplia demissões

Banco cortou 2.753 postos de trabalho nos últimos doze meses e amplia rede de agências digitais, que impõe o aumento da sobrecarga de trabalho para aos bancários e precariza o atendimento à população

O Itaú divulgou nessa segunda-feira, 31, o balanço financeiro do terceiro trimestre deste ano, que revelou a continuidade dos altos lucros do banco mesmo em meio a crise financeira que atinge o Brasil. No período divulgado, o lucro líquido do banco foi de R$ 5,394 bilhões.  Nos nove primeiros meses de 2016, o lucro líquido recorrente do banco foi de R$ 16,3 bilhões. Apesar da alta rentabilidade, o Itaú demitiu 2.753 empregados e fechou 207 agências nos últimos doze meses.

Para aumentar ainda mais a lucratividade, o Itaú amplia sua rede de agências digitais. De setembro de 2015 a setembro deste ano, foram criadas 56 novas unidades desse modelo, que hoje já somam 130. O relato de bancários que já trabalham em agências digitais denuncia o aumento da precarização do trabalho nessas unidades, com sobrecarga de trabalho, metas ainda mais elevadas e piora no atendimento à população.

“A tecnologia deve estar a favor da melhoria das condições de trabalho dos bancários, de melhor atendimento aos clientes e da redução das taxas e tarifas. No entanto, os bancos usam as inovações tecnológicas para ainda mais seus lucros, com aumento das demissões e a manutenção da cobrança de altas tarifas e juros elevados. O resultado dessa forma de gestão perversa dos bancos é a precarização do trabalho bancários e uma piora expressiva na qualidade do atendimento à população”, enfatiza o diretor do Sindibancários/ES, Carlos Pereira Araújo (Carlão).

Segundo a análise do Dieese, a cobertura das despesas de pessoal pelas receitas secundárias do banco foi de 151,2%. As receitas com prestação de serviços mais a renda das tarifas bancárias cresceram 8,8% em doze meses e somaram R$ 24,6 bilhões. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido médio anualizado foi de 20,0%, com redução de 4,5 pontos percentuais em doze meses.

Com informações da Contraf

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