Jovens negros são principais vítimas de mortes por arma de fogo

Foi divulgado novo estudo que comprova o genocídio da população negra brasileira.  O Mapa da Violência 2015 – Mortes matadas por arma de fogo, publicado na última quarta-feira, 13, pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), aponta que o número de mortes de negros por armas de fogo […]

Foi divulgado novo estudo que comprova o genocídio da população negra brasileira.  O Mapa da Violência 2015 – Mortes matadas por arma de fogo, publicado na última quarta-feira, 13, pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), aponta que o número de mortes de negros por armas de fogo chega a ser 2,5 vezes maior que o de pessoas brancas.

De acordo com o estudo, realizado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, em 2012 houve 42.416 homicídos à bala – o que representa 116 mortes por dia naquele ano. Dessas 42.416 mortes, foram vitimados 10.632 brancos e 28.946 negros, o que equivale a 11,8 óbitos para cada 100 mil brancos e 28,5 para cada 100 mil negros. Ou seja, apenas em 2012 morreram 2,5 vezes mais negros do que brancos.

Segundo o Mapa, entre 2003 e 2012, as taxas de homicídios de brancos caíram em 23%, situação inversa a dos negros, que teve um aumento na taxa de 14,1% no mesmo período. “Com esse diferencial, a vitimização negra do país, que em 2003 era de 72,5%, em poucos anos duplica. Em 2012 é de 142%”, aponta o estudo. Alagoas, Paraíba, Espírito Santo e Distrito Federal são os estados que mais matam negros por armas de fogo no país.

 “O Brasil, sem conflitos religiosos ou étnicos, de cor ou de raça, sem disputas territoriais ou de fronteiras, sem guerra civil ou enfrentamentos políticos levados ao plano das armas, consegue vitimar mais cidadãos via armas de fogo do que muitos dos conflitos contemporâneos, como a guerra da Chechênia, a do Golfo, as várias Intifadas, as guerrilhas colombianas ou a guerra de liberação de Angola e Moçambique, ou ainda uma longa série de conflitos armados acontecidos já no presente século e que tivemos oportunidade de expor em mapas anteriores”, destaca o estudo.

Nem países que estão em situações conflituosas como Iraque e México superam a triste posição do Brasil que ocupa o 11° lugar no ranking dos países com maiores taxas de homicídio.

Juventude

Se há evidente seletividade racial quanto aos homicídios cometidos à bala no Brasil, há também seletividade em relação à idade e ao sexo. De acordo com o Mapa da Violência 2015, os homens jovens são as maiores vítimas desse genocídio. Dos 42.416 óbitos em 2012, 24.882 foram de pessoas entre 15 e 29 anos, o que representa 59% do total. Mais da metade das vítimas assassinadas naquele ano era jovem e negra. Ainda conforme os dados, 94,2% das vítimas de homicídios por armas de fogo eram do sexo masculino.

O Espírito Santo está entre os oitos estados com maior número de mortes de jovens por arma de fogo. Segundo índices do levantamento, a cada 100 mil habitantes, 91,8 jovens capixabas são assassinados brutalmente. Enquanto que a taxa da população geral capixaba é de 38,3. 

 

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