Lançada campanha em defesa do Banestes público e estadual

Balões no céu e gritos de "não à privatização" marcaram o lançamento da campanha "Esse banco é da nossa conta" em defesa do Banestes público e estadual

Balões nas cores da bandeira do Espírito Santo invadiram o céu durante o lançamento da campanha “Esse banco é da nossa conta” (Foto: Sérgio Cardoso)

Balões rosas e azuis coloriram o céu do Centro de Vitória na manhã desta terça-feira, 14, e marcaram o lançamento da campanha em defesa do Banestes público e estadual. Bancários e bancárias participaram do ato e mostraram garra e disposição para enfrentar qualquer ataque ao banco dos capixabas. Com o tema “Esse banco é da nossa conta”, a campanha ganhará a partir de hoje as cidades do interior do Estado.

O lançamento da campanha também contou com café da manhã para os bancários e bancárias (Foto: Sérgio Cardoso)

Com mais de 800 postos de atendimento, o Banestes é o único banco presente nos 78 municípios capixabas, sendo 19 deles atendidos apenas por ele. Ao todo, são 2.525 bancários e bancárias empregados pelo banco, que receberão todo o material da campanha em defesa do Banestes. “É preciso a união de todos para garantir a continuidade do Banestes público e estadual”, como defende o coordenador geral do Sindibancários/ES, Jonas Freire.

Bancários receberam camisas e outras peças da campanha (Foto: Sérgio Cardoso)

“Vamos visitar todas as agências do Estado e conversar com todos os trabalhadores e trabalhadoras. Juntos, vamos enfrentar as ameaças contra o Banestes e reafirmar que esse patrimônio é público, é do Estado, é do povo. O Banestes tem mais de 80 anos de história e é o banco com maior credibilidade financeira do Espírito Santo. E quem constrói essa credibilidade somos nós, trabalhadores do Banestes, que temos respeito pelo que é público, amor pelo que fazemos e também prestamos um serviço de qualidade. Vamos lutar pela importância que o Banestes tem para a sociedade capixaba. Mas só vamos resistir se cada um de nós fizer a sua parte, se estivermos juntos, unidos e com coragem”, afirmou o coordenador do Sindicato.

Bancários na luta

Bancário do Banestes há 26 anos, Ronald Martins de Freitas participou do lançamento da campanha. Para ele, o banco é imprescindível para o desenvolvimento do Estado. “O Banestes já passou por uma transformação grande, se profissionalizou e está consolidado no mercado. Não faz sentido vender o banco. Além disso, sabemos que os recursos que o banco capta no mercado investe aqui no Estado, diferente de outros bancos que levam todo lucro para outros estados. Então, quero um Banestes cada vez mais forte e público, atuando e investindo no mercado capixaba”, frisou.

Como acionista majoritário do Banestes, o Governo do Espírito Santo fica com 92,37% dos dividendos distribuídos aos acionistas. Em 2016, esse valor chegou a R$ 53,25 milhões, como destacou o bancário Ricardo Gobbi, funcionário do Banestes há 33 anos. “Antes de ser empregado do banco, sou cidadão capixaba e defendo o Banestes pois ele é um instrumento fundamental para a política econômica e de desenvolvimento do Espírito Santo. O uso adequado do banco proporciona a injeção de recursos na agricultura familiar e em outros segmentos da economia, promovendo o desenvolvimento no nosso Estado, que foi destaque no Brasil inteiro. Além disso, o Banestes é altamente lucrativo e vai devolver ao Espírito Santo mais de R$ 50 milhões, que serão usados em benefício da sociedade. Por isso, é imprescindível defender o Banestes enquanto instituição pública a serviço do povo”, destacou.

Esse banco é da nossa conta

Presidente do Sindaema, Fábio Giori (Foto: Sérgio Cardoso)

A campanha “Esse banco é da nossa conta” é mais uma ação organizada pelo Comitê em defesa do Banestes público e estadual”. O lançamento contou com a participação de representantes de diversas entidades sindicais e de outras organizações dos trabalhadores. “O Banestes e a Cesan são duas empresas coirmãs e, como tais, desempenham um importante papel no Espírito Santo, prestando serviços estratégicos e essenciais para a população capixaba. É inadmissível que o Governo do Estado possa querer privatizar tanto o Banestes, um banco que tem uma função social importante para o povo do Espírito Santo, quanto a Cesan, que presta um serviço público essencial. A luta dos bancários do Banestes é a luta dos trabalhadores do saneamento”, destacou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Espírito Santo (Sindaema), Fábio Giori.

Lino de Souza, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Sintufes), também declarou apoio da entidade à campanha. “Temos que nos unir para defender o Banestes que é patrimônio do povo. Não podemos deixar que nossa riquezas sejam vendidas para os interesses dos governos que visam apenas o lucro. Por isso estamos nessa luta e vamos, juntos, enfrentar o desmonte do patrimônio público promovido pelos atuais governos”.

 

Dirigente da Intersindical, Rita Lima, destacou as ameaças às empresas públicas que estão em curso (Foto: Sérgio Cardoso)

A ameaça de privatização do Banestes faz parte de um projeto maior de entrega das empresas públicas brasileiras ao setor privado, como destacou a dirigente da Intersindical e do Sindibancários/ES Rita Lima.

“Já estamos com a campanha nacional ‘Se é público é para todos’ em defesa das empresas públicas, pois lutar pela presença do Estado em setores estratégicos é defender o Brasil. Estamos aqui para somar forças em defesa do Banestes público, do povo capixaba. Precisamos nos fortalecer, compreendendo que o Banestes é fundamental para o desenvolvimento social deste Estado”, frisou Rita.

Dinheiro de privatização volta logo pra mão do comprador e Estado fica sem patrimônio

No começo de 2009, no segundo mandato do governador Paulo Hartung, foram iniciadas as negociações para a venda do Banestes para o Banco do Brasil, proposta suspensa em junho daquele ano, após ampla mobilização do Comitê em Defesa do Banestes. O preço do banco foi estimado na ocasião em aproximadamente R$ 1, 1 bilhão. De 2009 até 2016, a soma do lucro líquido do Banestes deu R$ 1,019 bilhão. Considerando o valor nominal, ou seja, sem a inflação do período, se a venda tivesse sido concretizada, num prazo de oito anos, o comprador teria recuperado praticamente todo o valor pago pelo Banestes e ainda teria um banco rentável e em crescimento como seu patrimônio. Já o Estado estaria de mãos abanando.

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