Lucro do BB cresce 95,6% em um ano

Reestruturação, no entanto, reduz empregos, impacta negativamente vida de trabalhadores e diminui atuação de fomento do banco.

O Lucro Líquido Ajustado que o Banco do Brasil obteve no primeiro trimestre de 2017 foi de R$ 2,5 bilhões, o que significa 95,6% de crescimento em doze meses. O resultado foi impactado principalmente pelo aumento das rendas de tarifas, pela redução das despesas com provisão e pelo resultado com títulos e valores mobiliários, que  teve alta de 29% em doze meses.

Mesmo com alto lucro, o banco implementou em 2016 o Plano de Reorganização Institucional e do Plano Extraordinário de Aposentadoria Incentivada (PEAI), por meio do qual cortou 970 pontos de atendimento e 9,9 mil postos de trabalho.

Para os trabalhadores as consequências são duras: redução de oportunidades de emprego, agravamento das más condições de trabalho e aumento da pressão por produtividade são apenas alguns dos impactos decorrentes da reestruturação promovida no BB, que também está relacionada à ampliação do quadro de adoecimento dos bancários.

Redução de agências é maior do que o planejado

Nos mesmos doze meses, o número de agências reduzidas foi de 551 unidades, quando o Plano de Reorganização Institucional previa uma redução de 402 agências no decorrer de todo o ano de 2017, provocando uma precarização no atendimento presencial aos clientes e usuários.

Lucro cresce mas fomento de crédito diminui

A Carteira de Crédito Expandida do banco caiu 11,4% em doze meses e atingiu R$ 688,7 bilhões (queda de 2,7% no trimestre). As operações com pessoas físicas caíram 1,4% em relação ao 1º trimestre de 2016, assim como no trimestre, chegando a R$ 185,1 bilhões. Já as operações com pessoas jurídicas alcançaram R$ 280,8 bilhões, com queda de 19,4% em doze meses e de 4,7% no trimestre. O Índice de Inadimplência superior a 90 dias apresentou alta de 1,3 p.p. no período, ficando em 3,89%.  As despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa (PDD) caíram (5,3%), totalizando R$ 7,1 bilhões.

Para a diretora do Sindicato Goretti Barone, “os dados mostram que, apesar da alta do lucro, o banco reduziu a sua atuação como fomentador de crédito, diminuindo, por consequência, seu papel de agente público,o que demonstra um alinhamento maior ao mercado.”  

Imprima
Imprimir