Luta dos trabalhadores e trabalhadoras impede a privatização da Caixa

Nesta quarta-feira, 08, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy; e a presidenta da Caixa Econômica Federal, Miriam Belchior, concederam uma entrevista coletiva. Na ocasião eles declararam que o Governo Federal descarta a possibilidade de abertura de capital da instituição financeira, mas que a atividade de seguros, que atualmente já tem sócios privados, sofrerá modificações e […]

Nesta quarta-feira, 08, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy; e a presidenta da Caixa Econômica Federal, Miriam Belchior, concederam uma entrevista coletiva. Na ocasião eles declararam que o Governo Federal descarta a possibilidade de abertura de capital da instituição financeira, mas que a atividade de seguros, que atualmente já tem sócios privados, sofrerá modificações e já está sendo preparado um estudo que tem como parâmetro a abertura de capital do BB Seguridade.

Para a diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Rita Lima, a desistência do Governo Federal em abrir o capital da Caixa é uma vitória dos trabalhadores e trabalhadoras, que em todo o Brasil se mobilizaram em defesa da Caixa 100% pública. “Desde que foi anunciado o estudo para, possivelmente, haver uma abertura de capital da Caixa, os bancários e bancárias, juntamente com os sindicatos e federações, demonstraram sua insatisfação por meio diversas manifestações que ocorreram em território nacional. Foi por causa dessas mobilizações que a Caixa vai continuar sendo um banco 100% público”, afirma Rita.

O diretor do Sindibancários, Giovanni Riccio, faz críticas à abertura de capital da seguradora. “O Estado está abrindo mão de uma fatia de mercado em benefício de grandes empresas, nesse caso, as seguradoras nacionais e internacionais. Ainda em relação à abertura de capital da seguradora, o ajuste fiscal está sendo feito para colocar dinheiro no caixa do governo para pagar a dívida pública”, afirma Giovanni. Para a também diretora, Renata Garcia, a venda de ações da seguradora pode precarizar ainda mais os trabalhadores e trabalhadoras da Caixa.

“Isso pode aumentar a pressão para a venda de produtos, que é a principal causa de assédio e adoecimento da categoria. A organização e mobilização dos bancários e bancárias da Caixa deve ser mantida, principalmente nesse momento difícil de ataque aos direitos históricos dos trabalhadores”, diz Renata.

Com 154 anos de história, a Caixa é a principal responsável pela aplicação das políticas sociais do país, que incluem as áreas de saneamento básico, infraestrutura, seguridade social, habitação e programas de transferência de renda. Criada em 1861, a CEF se tornou o maior banco público do Brasil e a terceira maior instituição financeira do país em ativos totais. Em setembro de 2014, a empresa tinha R$ 1 trilhão em ativos, atrás somente do também público Banco do Brasil, com R$ 1,3 trilhão, e do privado Itaú com R$ 1,1 trilhão.

Trajetória de lutas

A possibilidade de abertura de capital foi anunciada no final de 2014, tratando-se do primeiro passo para a privatização da Caixa. A partir daí, várias manifestações foram feitas para impedir sua privatização. Como forma de articular as mobilizações, foi criado o Comitê Nacional em Defesa da Caixa 100% Pública, composto pela Fenae, Contraf, CUT, CTB, Intersindical e CSP Conlutas. Seguindo a orientação do Comitê Nacional, foram criados os fóruns estaduais, inclusive no Espírito Santo.

No Espírito Santo o Sindibancários realizou diversas ações sindicais em várias agências, inclusive com coleta de assinaturas para um abaixo assinado contra a abertura de capital. Uma delas foi a que aconteceu no dia 28 de janeiro, quando, após percorrer as agências, o protesto terminou com uma ação no prédio da Superintendência Regional da Caixa, na Enseada do Suá. Na ocasião os bancários e bancárias se reuniram com a diretoria do Sindicato após o expediente para discutir as consequências da abertura de capital e a importância da mobilização.

Também houve uma ação sindical em 27 de fevereiro, que foi o Dia Nacional em Defesa da Caixa 100% Pública. Em Vitória, o movimento contou com um ato na agência Beira Mar, localizada no Centro. Na ocasião foi distribuído para os bancários, bancárias e clientes o manifesto em Defesa da Caixa 100% Pública, aprovado em um ato ocorrido no dia 25 de fevereiro na Câmara dos Deputados.

As redes sociais também foram instrumento de mobilização. Um exemplo disso foi o “tuitaço” realizado no dia 25 de abril, por meio do qual dirigentes de entidades do movimento sindical e associativo e todos brasileiros e brasileiras que apoiam a Caixa 100% pública postaram no twitter a hastag #DilmanãovendaaCaixa.

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