MAB inicia Jornada de Luta para lembrar um ano do rompimento da Barragem de fundão, em Mariana

O ato, além de lembrar um ano do crime ambiental, também busca fortalecer as mobilizações em busca de justiça e reparação dos danos causados.

Atingidos e atingidas pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, deram início nesta segunda-feira, 31, à Jornada de Luta, organizada pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Eles saíram nesta manhã da comunidade de Regência, em Linhares, rumo a Mariana, onde chegarão na noite do 02 de novembro. Os atingidos e atingidas ficarão na cidade até o dia 05, data em que o crime ambiental completa um ano. Durante todo esse período serão realizadas várias atividades com as comunidades da foz do Rio Doce.

A caravana passará por nove municípios. “Serão realizadas em alguns trechos, como em Colatina, Mascarenhas e outros lugares, assembleias, debates, audiências e outras ações. Em Mariana, entre os dias 3 e 5, acontecerá o Encontro dos Atingidos por Barragem, onde faremos, entre outras coisas, uma avaliação da dimensão desse crime, mas também da organização popular e das vitórias alcançadas por meio dela”, diz o integrante da coordenação nacional do MAB, Pablo Dias.

No dia 05 de novembro, em Bento Rodrigues, será realizado o ato Um Minuto de Sirene e um culto ecumênico em homenagem aos 19 mortos em virtude do rompimento da barragem.

Consequências do crime ambiental e organização popular

O crime ambiental cometido pela Vale, Samarco e BHP Billiton, que levou ao derramamento de 60 milhões de m³ de resíduos tóxicos de mineração, causou a morte de 19 pessoas, destruiu o distrito de Bento Rodrigues, desalojou cerca de 650 pessoas, poluiu a quinta maior bacia hidrográfica do país, que é a do Rio Doce, afetando diretamente sua biodiversidade e a vida de populações ribeirinhas, de povos indígenas e tradicionais.  Também poluiu o Oceano Atlântico a partir da chegada dos resíduos na comunidade de Regência, afetando, desse modo, não mais apenas o povo de Minas Gerais e do Espírito Santo, mas a toda biodiversidade marinha.

Diante desse cenário de violação de direitos humanos, muitos atingidos e atingidas não ficaram de braços cruzados e se engajaram na organização, mesmo que isso não fizesse parte de suas vidas antes. Esse é o caso da pescadora Rejane Soares, de Mascarenhas, Baixo Guandú. De acordo com ela, o despertar a respeito da necessidade da mobilização veio quando tomou consciência da dimensão das consequências do crime ambiental e por meio da atuação do MAB.

“Os integrantes do MAB fizeram um trabalho de conscientização e mobilização. A partir daí conseguimos fazer algumas manifestações. A cada manifestação nós conseguíamos aumentar o número de pessoas reconhecidas como atingidas pela empresa”, diz.

Outro exemplo de organização popular foi a criação do Fórum do Norte da Foz, em agosto,  por parte de pessoas que, apesar de sofrerem as consequências do crime ambiental, os locais onde moram não são considerados como atingidos pela Vale, Samarco e BHP Billiton Entre esses lugares estão Pontal do Ipiranga, Barra Seca, Urussuquara e Degredo, em Linhares; e Campo Grande de Barra Nova, Barra Nova Norte, Barra Nova Sul, em São Mateus. “Nosso objetivo é nos organizarmos para que novamente possamos ter acesso aos nossos direitos básicos, que estão sendo negados pela mineradora”, explica a pescadora Eliana Balke, uma das lideranças de Pontal do Ipiranga.

Ato no dia 5 de novembro

Além de Mariana, no dia 05 de novembro também haverá manifestação em Colatina, uma das cidades capixabas atingidas pelo rompimento da Barragem de Fundão. Será uma marcha que sairá às 9h da manhã, da Escola Polivalente de São Silvano, e vai até o Cais da Avenida Delta, em frente ao Rio Doce, próximo à Praça do Sol Poente. O ato está sendo organizado pela Diocese de Colatina, Fórum SOS Rio Doce, Fórum Capixaba do Rio Doce, movimentos sociais, pastorais e sindicatos. Entre os sindicatos que participarão está o Sindibancários.

“É um ato que procura não somente lembrar um ano de crime ambiental, mas também fortalecer as mobilizações em busca de justiça e reparação dos danos causados pela Samarco. Muitos trabalhadores e trabalhadoras tiveram suas vidas completamente alteradas por causa desse crime ambiental, principalmente os pescadores. A pesca continua proibida em Colatina”, diz o diretor do Sindicato dos Bancários/ES, Iracélio Lomes.

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