Mais de 17 mil postos de trabalho bancário são cortados em 2017

Reestruturações bancárias, com Planos de Aposentadoria e Desligamento Voluntários (PADVs), contribuíram para o alto número de cortes. Caixa foi o banco que mais reduziu postos de trabalho.

Os bancos extinguiram 17.711 postos de trabalho em todo o país entre janeiro e novembro de 2017. Os dados são da Pesquisa do Emprego Bancário (PEB) elaborada pela Contraf e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), que foi divulgada nesta terça-feira, 03.

O saldo negativo foi 53,7% superior em relação ao mesmo período de 2016, sendo que grande parte desse resultado foi provocado por Planos de Aposentadoria e Desligamento Voluntários (PADVs), implementados notadamente pela Caixa Econômica Federal e pelo Bradesco em meados do ano passado.

Os estados mais impactados pelos cortes foram São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro, com registro de fechamento de 5.186, 2.965 e 1.969 vagas, respectivamente. Apenas a Paraíba apresentou saldo positivo no emprego bancário, com 74 postos abertos no período. O Acre teve o saldo zerado e os demais estados apresentaram saldo negativo no período.

“As reestruturações dos bancos públicos e privados e as demissões incentivadas que ocorreram ao longo de 2017 já estavam alinhadas com a reforma trabalhista. A redução de postos de trabalho mostra que essa reforma só veio para retirar direitos e trazer mais desemprego. Enquanto isso os bancos continuam lucrando”, critica Jonas Freire, coordenador geral do Sindicato.

A análise por Setor de Atividade Econômica revela que os “bancos múltiplos com carteira comercial”, categoria que engloba instituições como, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil, foram responsáveis pelo fechamento de 10.541 postos entre janeiro e novembro de 2017. A Caixa respondeu pelo corte de 6.878 postos no mesmo período, em função de novo PADV implantado em julho de 2017.

Lizandre Borges, diretora do Sindicato e empregada da Caixa, destaca que “esse número reflete exatamente o planejamento do governo federal para a Caixa, que é diminuir a quantidade de empregados e esvaziar a sua capacidade de atendimento, reduzindo sua importância na gestão das políticas públicas sociais e no atendimento das demandas da população. Tudo isso contribui para privatizar o banco, objetivo final do governo Temer, ao qual temos que resistir”.

A pesquisa tem como base os dados do Cadastro Geral de empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho.

Faixa Etária

A extinção de postos de trabalho nos bancos atingiu, principalmente, trabalhadores na faixa etária entre 50 a 64 anos, com fechamento de 15.101 postos de trabalho. Esse dado é indicativo do resultado dos PADV, anunciados em julho pela Caixa e pelo Bradesco por se destinarem a bancários aposentados ou em vias de se aposentar. Os bancários mais jovens – faixa etária entre 18 a 24 anos – representam a maioria dos postos de trabalho criados (7.317 postos).

Desigualdade entre Homens e Mulheres

As 11.412 mulheres admitidas nos bancos entre janeiro e novembro de 2017 receberam, em média, R$ 3.460,78. Esse valor correspondeu a 71,8% da remuneração média auferida pelos 11.763 homens contratados no período. Constata-se a diferença de remuneração entre homens e mulheres também nos desligamentos. As 21.071 mulheres desligadas dos bancos recebiam, em média, R$ 6.525,09, o que representou 76,9% da remuneração média dos 19.815 homens desligados dos bancos no período.

Com informações da Contraf e Fenae

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