Mapa da Violência 2015: Espírito Santo é um dos líderes em feminicídio

O estado do Espírito Santo está entre os que registram os maiores números de homicídios de mulheres, segundo dados do Mapa da Violência 2015, divulgado na segunda-feira, 09. O estudo, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), aponta que o Estado está em segundo lugar no ranking de assassinato de pessoas do sexo feminino, […]

O estado do Espírito Santo está entre os que registram os maiores números de homicídios de mulheres, segundo dados do Mapa da Violência 2015, divulgado na segunda-feira, 09. O estudo, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), aponta que o Estado está em segundo lugar no ranking de assassinato de pessoas do sexo feminino, com uma taxa média de 9,3 homicídios a cada 100 mil mulheres, perdendo somente para Roraima, onde essa taxa é de 15,3.

O Mapa da Violência 2015 mostra que, em Vitória, classificada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em junho deste ano com uma das cidades do litoral brasileiro onde as pessoas têm a maior expectativa de vida, a longevidade não é para todos. A cidade aparece em primeiro lugar entre as capitais brasileiras em taxas de homicídio a cada 100 mil mulheres em 2013, que foi de 11,8, seguida de Maceió (10,7) e João Pessoa (10,5).

“A grande taxa de homicídio contra as mulheres é a expressão máxima do machismo. Muitos homens, por achar que as mulheres são sua propriedade, as eliminam quando elas querem ser donas de suas vidas, terminar uma relação, desfazer um casamento, por exemplo”, diz a diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Lucimar Barbosa.

Outros municípios capixabas aparecem no estudo feito pela Flacso. Entre as 100 cidades brasileiras com mais de 10 mil habitantes do sexo feminino, com as maiores taxas de homicídios a cada 100 mil mulheres no período de 2009 a 2013 estão Sooretama, Pinheiros, Serra, Jaguaré, Cariacica, Vila Velha, Viana, Baixo Guandú, Linhares e Barra de São Francisco.

Em todo o Brasil, entre 1980 e 2013, 106.093 mulheres foram vítimas de homicídio. Em 1980 1353 foram assassinadas. Esse número subiu para 4762 em 2013. Isso significa um aumento de 252%. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), num grupo de 83 países com dados homogêneos, o Brasil ocupa a 5ª posição em assassinatos de mulheres, perdendo somente para El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia.

Violência afeta mais as mulheres negras

No que diz respeito às mulheres negras, o Espírito Santo também é destaque no Mapa da Violência. A taxa de homicídio de mulheres negras a cada 100 mil pessoas do sexo feminino em terras capixabas no ano de 2013 foi de 11,1, posicionando o Espírito Santo em primeiro lugar no ranking, seguido de Acre (10,4) e de Goiás (10,2).

Os dados, que comprovam que a violência não tem somente sexo, mas também cor, não param por aí. O estudo mostra que, no Brasil, o homicídio de mulheres negras aumentou 54,2% de 2003 a 2013, passando de 1864 vítimas para 2875. Além disso, enquanto o número de assassinatos de negras aumenta, o de brancas diminui. De 2003 a 2013, num universo de 100 mil mulheres, o homicídio de brancas reduziu de 3,6 para 3,2, já o de negras elevou de 4,5 para 5,4.

Grande parte das mortes acontece no lar

Ao analisar os dados do local de morte das mulheres no Brasil, é perceptível uma domesticidade do homicídio, ao contrário dos assassinatos masculinos. Os casos de mulheres mortas dentro do lar são 27,1%, o de homens é 10,1%. Eles são atingidos pela violência muito mais em via pública (48,2%) do que as mulheres (31,2%). “Infelizmente em nossa sociedade ainda há quem diga que ‘em briga de marido e mulher não se mete a colher’. É como se a agressão da mulher fosse algo individualizado, mas não é. Trata-se de um problema social. Nesse caso o privado faz parte do público e a gente tem que meter a colher sim, lutar contra essa violência e evitar que mais mulheres sejam exterminadas”, afirma Lucimar Barbosa.

Os meios utilizados para cometer o assassinato também se diferem. No caso das mulheres, elas são mais atingidas por objetos cortantes (25,3% dos casos) do que os homens (14,9%). Já o público masculino é mais afetado por arma de fogo (73,2% dos assassinatos) do que o público feminino (48,8%).

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