Marcha denuncia formas de opressão contra as mulheres

A Marcha, cujo tema foi "Mulheres de luto em luta", denunciou os altos índices de feminicídio no Espírito Santo, a omissão do governo do Estado em relação a isso, a retirada de direitos por parte do governo ilegítimo de Temer, o racismo e muitas outras formas de violência contra a mulher

A Marcha do Dia Internacional da Mulher, cujo tema foi “Mulheres de Luto em Luta!”, saiu da Praça de Jucutuquara rumo ao Palácio Anchieta na tarde da última quinta-feira, oito de março. Ela contou com cinco alas. A de mulheres de luto, com manifestantes vestidas de preto; e as alas contra o racismo, pelos direitos das trabalhadoras do campo, contra as reformas do governo ilegítimo de Temer, além da ala contra a violência e em defesa dos direitos sexuais e reprodutivos.

A Marcha, organizada pelo Fórum de Mulheres do Espírito Santo, contou com a participação de diversos sindicatos e movimentos sociais, entre eles, o Sindicato dos Bancários/ES. A diretora dessa entidade Evelyn Flores destaca o período de retrocesso pelo qual o país está passando e convoca as mulheres a resistir contra a retirada de direitos.

Sindibancários presente na Marcha do Dia Internacional da Mulher. Foto: Sérgio Cardoso

“Precisamos, não somente no Espírito Santo, mas em todo o Brasil, lutar contras as reformas do governo ilegítimo de Temer. Queremos a revogação da reforma Trabalhista e o arquivamento da reforma da Previdência. Também temos que lutar contra os projetos de lei que são um atentado às nossas liberdades individuais e que estão sendo impostos por uma bancada do Congresso Nacional que é considerada a mais conservadora dos últimos tempos. Um exemplo é a PEC 181, que impede o aborto em qualquer ocasião, inclusive nas situações já garantidas por lei, como nos casos de estupro, anencefalia ou gravidez com risco de morte para a mãe”, diz Evelyn.

Para uma das integrantes do Fórum de Mulheres Edna Martins a Marcha conseguiu cumprir seu objetivo.

“A rua é um espaço dos movimentos, e também do movimento feminista, e a utilizamos para denunciar a opressão e a violência em sintonia com as mulheres de outras partes do Brasil e de outros países, pois a nossa luta é internacionalista, já que a situação das mulheres se assemelha em várias partes de mundo por causa do aprofundamento da desigualdade diante da perspectiva econômica com base no neoliberalismo. E as mais prejudicadas somos nós”, diz Edna.

Uma das reivindicações feitas durante a Marcha foi o fim da violência contra a mulher. Foto:Sérgio Cardoso

Ao chegar ao Palácio Anchieta, as mulheres, vestidas de preto, acenderam velas na porta principal do prédio para denunciar as altas taxas de feminicídio no Espírito Santo. Segundo dados do Fórum de Mulheres, até setembro de 2017 foram registrados 93 homicídios de mulheres, sendo 23 confirmados como feminicídios até julho.

Juventude na luta

A Marcha contou com a participação de muitas mulheres jovens. Foto: Sérgio Cardoso

Algumas com muitos anos de experiência na luta pelos direitos da mulher. Outras, com menos. A Marcha contou com a participação de mulheres de várias idades. A diretora do Sindibancários Lindalva Firme enxerga como positiva a participação de jovens na Marcha do Dia Internacional da Mulher.

“As mulheres estão entendendo mais do que nunca que têm que estar na rua contra toda forma de opressão, contra toda forma de violência. Creio que por isso tem tantas jovens presentes na Marcha. Está surgindo uma nova geração de lideranças feministas”, declara Lindalva.

As mulheres jovens eram tanto da cidade quanto do campo, como a lavradora Karine Bullerjahn, de 21 anos, que estava junto de companheiros do Movimento de Pequenos Agricultores (MPA) e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Domingos Martins e Marechal Floriano. Para ela, o oito de março não é dia de comemoração.

“É um dia de se manifestar, de lutar por nossos direitos. As mulheres da cidade e do campo vivem realidades diferentes, mas também têm problemas em comum, por exemplo, a dupla jornada de trabalho. Acordo cedo e antes de ir para a lavoura tenho que me preocupar com os cuidados da casa. Quando volto do trabalho, acontece a mesma coisa. Precisamos nos unir”, afirma Karine.

A realidade apontada por Karine é confirmada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que na quarta-feira, 07, publicou o estudo “Estatísticas de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil”, no qual mostra que as mulheres trabalham cerca de três horas por semana a mais do que os homens, levando em consideração trabalho remunerado, afazeres domésticos e cuidado com as pessoas.

Governo do Estado não dialoga com movimento de mulheres

Enquanto a Marcha estava sendo realizada, o governo do Estado lançou um programa voltado para as mulheres cuja construção não contou com a participação do movimento de mulheres

Em pleno Dia Internacional da Mulher, o governo do Estado, por meio das Secretarias de Direitos Humanos (SEDH), da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) e da Saúde (Sesa) anunciou novas políticas públicas voltadas para as mulheres. Contudo, em nenhum momento dialogou com o movimento de mulheres para que ele construísse junto essas políticas.

“Soubemos enquanto marchávamos que o governador estava lançando um novo programa de políticas públicas. Nós não sabíamos, pois não fomos consultadas. Essa é uma atitude eleitoreira. Um governo que não faz política pública efetiva e em pleno ano eleitoral começa a fazer está pensando somente em eleição. Política pública se faz no início do mandato para acompanhá-la durante toda a gestão”, salienta Edna Martins.

Segundo informações do site do governo do Estado, será criado um Centro de Referências em Direitos Humanos, que irá funcionar no Programa Integrado de Valorização à Vida (PROVIV), ampliando os serviços já prestados. Também haverá a criação do Espaço Lilás, no Departamento Médico Legal (DML), destinado à atendimento de mulheres, adolescentes e crianças vítimas de violência sexual.

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