Meirelles confirma que Caixa está sendo preparada para venda

O pré-candidato à presidência defendeu privatização pulverizada e afirmou que mudança no estatuto iniciou preparação para venda da Caixa

O ex-ministro da fazenda e pré-candidato à presidência da república Henrique Meirelles afirmou com todas as letras que a Caixa está sendo preparada para privatização, com base num modelo de pulverização e abertura gradual do capital do banco – modelo que defendeu para os bancos públicos e outras empresas, como a Petrobras.

 “A privatização deve ser feita de forma gradual. O BB já tem uma administração nessa linha. A Caixa está sendo preparada para isso, com o novo estatuto e etc.. Com o tempo, podemos até pensar, sim, em abrir o capital da Caixa, começar a vender participação privada. O que não é solução de curto prazo é vender o BB para um outro grande banco nacional, porque aí vai criar oligopólio. O que precisamos é devagar ir aumentando a pulverização do capital”, disse Meirelles, em sabatina promovida pelo jornal Correio Braziliense.

A alteração do estatuto da Caixa, apontada como marco da preparação para a privatização, foi aprovada em janeiro deste ano, com forte resistência do movimento sindical, que vinha denunciando o caráter privatista das mudanças. Agora, a declaração de Meirelles confirma a denúncia dos trabalhadores.

“É inadmissível que um candidato à presidência aponte como natural vender as riquezas do país. Está claro a defesa dos interesses do capital privado em detrimento do interesse público”, enfatiza Rita Lima, diretora do Sindibancários/ES e empregada da Caixa.

Com a alteração do estatuto da Caixa, todo o organograma do banco foi alterado para que a empresa funcionasse como uma SA (Sociedade Anônima), já atendendo a um modelo de mercado, mesmo sem a reclassificação formal. O novo texto ainda impôs um teto para custeio do plano Saúde Caixa e um limite no pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

Desmonte

O desmonte da Caixa também está sendo acelerado com o enxugamento do quadro de empregados via planos de demissão voluntária e diversas reestruturações, que provocaram a extinção e centralização de vários setores nos últimos dois anos.

Em 23 de fevereiro de 2018, a Caixa lançou um novo PDV com a expectativa de atingir 2.964 trabalhadores. Em maio, também foi anunciado o fechamento de 100 agências bancárias. Só em 2017 foram mais de 7 mil postos de trabalho cortados pelo banco, após dois PDV´s.

Fatiamento

O plano de pulverizar o patrimônio da Caixa já vem sendo executado pelo governo Temer. A privatização da Loteria Instantânea Exclusiva (Lotex) já está com leilão agendado para o dia 14 de junho, na Bolsa de Valores de São Paulo.

Resistência

Bancários e bancárias devem fortalecer a resistência contra a liquidação da Caixa. “Está evidente os planos de entregar o patrimônio da Caixa. Meirelles, inclusive, é banqueiro e tem interesse pessoal e direto no tema. Os empregados da Caixa devem resistir, e não será tarefa fácil. Na Campanha Nacional que se inicia a defesa da Caixa 100% será uma de nossas prioridades”, diz Lizandre Borges, diretora do Sindicato.

Foto de capa: Outras palavras

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