MST protesta contra descaso do Governo do Estado em relação à educação no campo

Militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) estão acampados na Secretaria de Estado de Educação (Sedu), na Avenida Vitória, desde a segunda-feira, 15. Eles protestam contra o posicionamento do Governo do Estado de juntar alunos do 6º ao 9º ano e do 1º ao 5º na mesma sala de aula em escolas dos […]

Militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) estão acampados na Secretaria de Estado de Educação (Sedu), na Avenida Vitória, desde a segunda-feira, 15. Eles protestam contra o posicionamento do Governo do Estado de juntar alunos do 6º ao 9º ano e do 1º ao 5º na mesma sala de aula em escolas dos assentamentos. Além disso, o Governo do Estado não quer que esses estabelecimentos de ensino continuem a colocar em prática a Pedagogia da Alternância.

De acordo com a integrante da coordenação estadual do MST, Fátima Ribeiro, por meio da pedagogia da alternância o aluno passa uma semana na escola em tempo integral e outra com a família, sendo acompanhada pelo educador. Assim, ele divide seu tempo entre a sala de aula, trabalhos gerais na escola, atividades na horta, projetos de pesquisa sobre temas que tenham a ver com sua realidade concreta, autoavaliação, entre outros.

“Há 30 anos o MST desenvolve essa pedagogia. Queremos que o Governo do Estado normatize as diretrizes que a regulam para que essa prática pedagógica possa prosseguir nas escolas dos assentamentos capixabas. Ela promove a interação entre a escola, a família e a comunidade, cria laços entre o educando e o campo, evitando que cresça a fila do êxodo rural, fortalecendo a agricultura familiar e a agroecologia”, destaca Fátima.

Para Fátima, o projeto pedagógico que o Governo do Estado quer implantar nas escolas dos assentamentos, que é o mesmo dos colégios da zona urbana, é um projeto de exclusão. “É uma educação de mercado, voltada meramente para fortalecer o agronegócio e as transnacionais, as empresas da cidade”, afirma.

Reforma Agrária e Meio Ambiente

MST Marcha

Os trabalhadores e trabalhadoras rurais saíram do Incra rumo ao Palácio Anchieta

Antes de ocupar a Sedu, os militantes do MST fizeram um protesto em frente ao Incra, em São Torquato, na segunda-feira, 15. De lá eles marcharam rumo ao Palácio Anchieta. Além da questão da educação, na pauta de reivindicação dos trabalhadores e trabalhadoras rurais consta, ainda, a reforma agrária. Atualmente cerca de 750 famílias estão aguardando para serem assentadas no Espírito Santo.

Também há reivindicações de ordem ambiental já que a seca fez com que em alguns assentamentos os agricultores e agricultoras perdessem parte da produção. Nesse caso, eles solicitam assistência técnica, social e ambiental, que não recebem há três anos, financiamento e capacitação das famílias para processo de irrigação e isenção de pagamento da água utilizada para irrigar.

O MST também exige a punição da Samarco e quer que a mineradora arque com os danos causados ao assentamento Sezínio Fernandes de Jesus, em Linhares. Em virtude da lama tóxica proveniente do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, e que escorreu pelo Rio Doce, mais de duas toneladas de peixes morreram num córrego desse assentamento.

Até o momento os militantes do MST foram recebidos pelo Secretário Estadual de Agricultura, Octaciano Neto; e pelo Secretário Estadual de Educação, Haroldo Correa Rocha. O primeiro ficou de analisar as reivindicações e remarcou uma reunião para o dia quatro de março. Haroldo, segundo Fátima, não se mostra aberto ao diálogo com o movimento.

Fotos: Divulgação

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