Mulheres ocupam ruas de Vitória pelo fim da violência e por direitos

Mulheres do campo e da cidade se uniram e foram às ruas dizer "basta" à violência, aos retrocessos e à retirada de direitos

Diretoras e diretores do Sindibancários/ES participaram do ato (Fotos: Sérgio Cardoso)

Na última sexta-feira, 08, centenas de mulheres capixabas do campo e da cidade ocuparam as ruas do Centro de Vitória contra o retrocesso, a reforma da Previdência e pelo fim da violência contra a mulher. O ato, realizado durante a tarde, marcou o Dia Internacional de Luta das Mulheres e também foi um grito por justiça pela morte da vereadora carioca Marielle Franco.

O dia 08 de março é um marco de resistência das mulheres, como destacou a  assistente social e integrante do Fórum de Mulheres do Espírito Santo, Emilly Marques Tenório.

“Este é um dia historicamente de luta. O capitalismo tenta desvirtuar a intencionalidade deste dia, nos dando presentes e flores. Mas nós, neste dia, viemos às ruas para reafirmar o que queremos: ser respeitadas, ter nossos direitos assegurados, o fim da violência contra as mulheres, a revogação da proposta da reforma da Previdência e o fim da reforma trabalhista.”

Evelyn Flores (Foto: Sérgio Cardoso)

Por meio de cartazes, faixas,  intervenções artísticas e manifestações culturais,  as mulheres levantaram suas bandeiras de luta. “Neste ano, as manifestações das mulheres começaram cedo, com os protestos contra o governo Bolsonaro antes mesmo do 8 de Março, primeira data historicamente de Luta. Foi nas ruas, na maior festa cultural deste país, o carnaval, que tivemos  manifestações legítimas contra tudo o que este governo representa: o fascismo, machismo, lgbtfobia e todos os retrocessos  nas políticas públicas. Não vamos aceitar nenhuma dessas violências. Mostramos nossa força e sabemos que quando a mulher avança, o machismo retrocede. Por isso, nossa luta continua”,  enfatizou a diretora do Sindibancários/ES, Evelyn Flores.

Machismo que mata

O fim da violência contra a mulher foi um dos principais “gritos” das mulheres durante a marcha. Somente em janeiro deste ano, 126 mulheres foram brutalmente assassinadas no Brasil. Os dados são da Comissão Internacional de Direitos Humanos. Entre os estados, o Espírito Santo é o primeiro lugar no extermínio de mulheres negras. Diante do assustador índice de feminicídio, as mulheres reivindicaram políticas públicas eficazes para combater esse tipo de violência.

“Infelizmente, neste governo temos equívocos atrás de equívocos, com adoção de medidas superficiais para tratar uma situação tão séria. A violência contra a mulher é uma questão estrutural e que deve ser combatida com  políticas públicas de prevenção, educação e de assistência às mulheres em situação de violência, e não maquiando esse cenário tão violento para nós mulheres”, enfatizou   Emilly.

Mulheres indígenas da aldeia Tupiniquim (Foto: Sérgio Cardoso)

Mulheres indígenas também participaram do ato e levaram suas bandeiras para as ruas da capital.

Índia Maria Tupiniquim (Foto: Sérgio Cardoso)

“Viemos mostrar que nós, indígenas,  existimos e resistimos à opressão. Nossa luta continua.  Enfrentamos a falta de respeito daqueles que não acreditam e não respeitam o nosso modo de vida,  que é tão diferente da maior parte da sociedade. Mas viemos mostrar que estamos na terra e  vamos morrer na nossa terra. E nessa luta por direitos, estamos juntas com todas as mulheres”, disse Maria Tupiniquim da Silva, da Aldeia Tupiniquim Caieira Velha, em Aracruz.

Reforma da Previdência

Mulheres do campo e da cidade mostraram que estão unidas na luta por direitos e contra a reforma da Previdência. A proposta enviada pelo governo Bolsonaro é prejudicial a todos trabalhadores, mas principalmente às mulheres, que tem dupla e até tripla jornada de trabalho.

Trabalhadoras rurais do MST (Foto: Sérgio Cardoso)

“Estamos nas ruas hoje nesta luta unificada contra o retrocesso. As mulheres do campo, e não apenas as do MST, mas as ribeirinhas, as pescadoras, por exemplo, têm uma tripla jornada de trabalho. Hoje, ao se aposentarem essas mulheres já aproveitam muito pouco da aposentadoria, pois o trabalho no campo é árduo, pesado. Com essa proposta de reforma da Previdência será muito pior, pois não vamos conseguir chegar a se aposentar. Nossa bandeira é de enfrentamento, pois não podemos aceitar esse retrocesso”, enfatizou  Eliandra Fernandes, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

O ato das mulheres seguiu até o Museu do Negro (Mucane), no Parque Moscoso, onde continuou com diversas apresentações culturais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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