Mulheres fazem intervenção na Praça Costa Pereira pelo fim da violência

O Sindicato dos Bancários/ES participou na manhã desta quarta-feira, 25, de um ato público que marcou o Dia Internacional de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, celebrado hoje. A atividade aconteceu na Praça Costa Pereira, no centro de Vitória, e envolveu coletivos culturais urbanos e entidades de defesa das mulheres. Durante o ato, uma cena […]

O Sindicato dos Bancários/ES participou na manhã desta quarta-feira, 25, de um ato público que marcou o Dia Internacional de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, celebrado hoje. A atividade aconteceu na Praça Costa Pereira, no centro de Vitória, e envolveu coletivos culturais urbanos e entidades de defesa das mulheres.

Durante o ato, uma cena de violência chamou a atenção dos presentes. Um homem que passava pela praça perseguiu a companheira com tapas, gritos e empurrões. Populares intervieram para tentar proteger a mulher e até a Polícia Militar foi chamada para conter a agressão. O que o público não sabia era que cena tratava-se, na verdade, de uma performance feita pelo grupo de Teatro do Invisível da Casa da Juventude de São Pedro. Como parte da proposta do Teatro do Invisível, a situação de violência foi apresentada como acontece no cotidiano, sem que o público percebesse a encenação.

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“O que vimos foi teatro, mas infelizmente essa situação de violência acontece todos os dias vitimando milhares de mulheres. Não podemos considerar normal e aceitar”, explicou a diretora do Sindibancários/ES, Lucimar Barbosa, que integra o Coletivo de Mulheres do Sindicato.

A atividade resgatou também o sentido da praça pública como espaço de expressão, diálogo e debate, como pontua a diretora do Sindicato/ES, Cláudia Garcia de Carvalho.

“Tivemos a oportunidade de ouvir muitas mulheres que vieram até nós para relatar a violência sofrida. Muitas disseram que mudaram depois que tiveram a coragem de denunciar. E mesmo os homens aqui da praça se manifestaram falando sobre a importância do tema e dizendo não à violência. Todos estão debatendo o tema e isso é importante para avançarmos no combate à violência contra a mulher”, destaca a diretora.

As mulheres do Sindibancários/ES também panfletaram na praça a nova edição do jornal Mulher24h, que começa a ser distribuída nas agências ainda esta semana.

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Mulheres negras são as principais vítimas

A violência contra as mulheres negras também foi denunciada. “O Mapa da Violência 2015, divulgado recentemente, mostra que o número total de homicídios de mulheres brancas diminuiu 9,8% entre 2003 e 2013, e o de mulheres negras aumentou 54,2%. As mulheres não são todas iguais e para nós fazer esse recorte é necessário. A violência de gênero atinge de forma diferente as mulheres brancas e negras e temos que considerar isso para enfrentar o problema”, disse Tuanne Almeida, que é assistente social e integra o Coletivo Rua – Juventude anticapitalista.

Segundo o Mapa da Violência 2015, o Espírito Santo está em segundo lugar no ranking de assassinato de pessoas do sexo feminino, com uma taxa média de 9,3 homicídios a cada 100 mil mulheres. Em relação às mulheres negras, o Estado também é destaque, com taxa de 11,1 homicídios a cada grupo de 100 mil mulheres, posicionando o Espírito Santo em primeiro lugar no triste ranking. Só no ano de 2013 forram assassinadas 1.576 mulheres brancas e 2.875 negras.

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25 de novembro: um dia de luta para as mulheres

O 25 de novembro, Dia Internacional de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, é uma data histórica para o movimento de mulheres. Ele foi instituído no 1° Encontro Feminista da América Latina e Caribe, em 1981, em homenagem às irmãs dominicanas Pátria, Minerva e Maria Teresa Mirabal, conhecidas como “Las Mariposas”. Elas foram torturadas e assassinadas por lutarem contra a ditadura de Trujillo, na República Dominicana. Em 1999, a ONU declarou o 25 de novembro como Dia Internacional de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher.

 

Performance Bombril

Bombril 1

 

Performance Bombril, realizada em frente ao Maes. Foto: Arquivo do Sindicato

Na parte da tarde, o Centro de Vitória também foi palco de outra expressão artística que marcou o Dia Internacional de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher. Dessa vez, quem chamou a atenção das pessoas que passavam foram cinco jovens negras que fizeram parte da Performance Bombril, em frente ao Museu de Arte do Espírito Santo Dionísio Del Santo (Maes).

Por meio da performance elas utilizaram seus próprios cabelos para lavar objetos como panelas e talheres, denunciando a violência sofrida pela mulher negra em virtude do racismo, que impõe um padrão de beleza branco e inferioriza o negro por causa de sua estética. A realização da Performance Bombril integra a proposta de arte educação da “Adaptação Margem de Ti”, que faz parte da exposição coletiva “Tentativas de Esgotar um Lugar”, aberta no Maes desde o último dia 2 de outubro.

 

 

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