Mulheres marcham em Vitória contra a criminalização do aborto e pela saída de Cunha

“Cadê o homem que engravidou? Por que a culpa é da mulher que abortou?”, “Vai cair, vai cair, o Cunha vai Cair”. Esses foram os gritos de ordem de centenas de mulheres capixabas na marcha “Mulheres contra Cunha e o PL 5069 – Vitória”, realizada na tarde da última sexta-feira, 06. O ato saiu da […]

“Cadê o homem que engravidou? Por que a culpa é da mulher que abortou?”, “Vai cair, vai cair, o Cunha vai Cair”. Esses foram os gritos de ordem de centenas de mulheres capixabas na marcha “Mulheres contra Cunha e o PL 5069 – Vitória”, realizada na tarde da última sexta-feira, 06. O ato saiu da Ufes e seguiu até a Assembleia Legislativa, e contou com a presença de diversos movimentos sociais como fóruns, sindicatos, coletivos juvenis, movimento estudantil, movimentos negro e LGBT.

O PL 5069/2013, aprovado em 21 de setembro pela Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania, de autoria de Eduardo Cunha (PMDB), abre brechas para a criminalização total do aborto. No Brasil, o aborto é legal apenas em casos de estupro, risco de morte da mulher e em casos de fetos anencéfalos. De acordo com a atual lei, em casos de estupro, a vítima não precisa comprovar a violência sofrida. Basta que a mulher vá até um hospital e relate o ocorrido. Porém, caso o PL 5069/2013 seja aprovado, será necessário que a vítima faça exame de corpo de delito para comprovar o crime.

Confira a cobertura em fotos da Marcha

Para a professora Rose Varejão, 36, uma das que marcharam contra o PL 5069, o Estado não deve interferir no corpo das mulheres. “É uma violência institucionalizada. O corpo me pertence, logo eu tenho que ter o direito de tomar decisões sobre o meu corpo e não o Estado dizer o que posso ou não fazer”, comenta a professora. Rose é mãe de Pedro, um bebê de apenas 11 meses que ela fez questão de levar para o ato.

Vítimas da ilegalidade

A não legalização do aborto provoca milhares de vítimas por ano. A maioria é de mulheres pobres e negras que, por não terem como pagar por clínicas caras, acabam por realizar aborto de forma insegura e desumana. “A mulher negra e pobre vai ser uma das que mais será afetada pelo PL 5069. Vivemos em uma sociedade machista e racista, e a mulher negra sofre esses dois tipos de opressão e é desprivilegiada em relação ao acesso à informação, às unidades de saúde. Se estamos falando de um projeto que vai alterar a vida das mulheres, então isso vai afetar muito mais a vida da mulher negra e pobre”, analisa a socióloga e militante do Coletivo Negrada e Mulheres Negras Capixabas, Eliane Nascimento, que esteve presente na marcha contra o PL 5069 e contra o Cunha em Vitória.

Durante a marcha, mulheres seguravam cartazes com dizeres como “pelo direito de ser mulher e fazer do meu corpo o que eu quiser”, “aborto é uma questão de saúde, não de religião” e “tirem seus rosários de meus ovários”. Ao chegarem na Avenida Dante Michelini, as mulheres colaram na placa que indica o nome da avenida um adesivo com o nome Av. Araceli C.

A intervenção simbólica lembra o caso Araceli Cabrera Crespo, que aos 8 anos foi raptada, drogada, estuprada e morta no Espírito Santo, em 1973. Os assassinos da menina foram inocentados do crime. Ainda em memória à Araceli, o movimento fez um minuto de silêncio em frente ao antigo Bar Franciscano, local onde a menina foi brutalmente assassinada e mantida em cativeiro por dois dias. O ato se encerrou na Assembleia Legislativa, quase três horas depois de seu início.

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