Mulheres realizam atos contra o feminicídio no Centro de Vitória

Os atos aconteceram no dia 24 de novembro, em virtude do Dia Internacional de Luta a Não-Violência Contra a Mulher. O primeiro foi na Praça Costa Pereira, pela manhã. O outro, no Palácio Anchieta, no período da tarde.

Em alusão ao Dia Internacional de Luta a Não-Violência Contra a Mulher, na última sexta-feira, dia 24, foram realizadas manifestações pela vida das mulheres, uma delas na Praça Costa Pereira, pela manhã, e outra no Palácio Anchieta, no período da tarde. O Espírito Santo ocupa a 2ª colocação dentre os Estados que mais matam mulheres no Brasil – são mais de 106 mulheres mortas em 2017, segundo dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública.

“Estamos aqui para denunciar todos os tipos de violência sofrida, tanto física quanto psicológica. O machismo e o patriarcado estão enraizados em nossa cultura, por isso sabemos que nossa luta é todos os dias. Nos bancos ainda hoje recebemos salários menores em relação aos homens e, estatisticamente temos dificuldade em alcançar cargos de gerência. Além disso, com a reforma trabalhista e a reforma da Previdência, vemos as mulheres serem as mais prejudicadas” afirma Evelyn Flores, diretora do Sindibancários/ES.

Evelyn Flores, diretora do Sindibancários

“No Bradesco, recebemos denúncias de que mulheres grávidas não estão sendo substituídas quando saem de licença, sobrecarregando os colegas com o acúmulo de funções e gerando um clima de desconforto no ambiente de trabalho, tendendo a culpabilizar a gestante pela situação. Esse tipo de política adotada pela gestão dos bancos configura assédio moral e tem suas raízes na cultura machista. É um tipo de postura que endurece cada vez mais a visão que as pessoas têm sobre o ato de gerar a vida”, afirma Lindalva Firme, diretora do Sindibancários/ES.

Durante o ato, foram denunciadas a ausência de políticas públicas para a questão de gênero e raça. Equipamentos públicos, como as Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher – DEAMs – estão sucateados e em alguns municípios esses serviços são inexistentes. Em muitas delegacias é comum que as mulheres sofram ainda a violência institucional, sendo responsabilizadas pela violência a qual foram submetidas. “Isso deixa evidente a falta de preparo dos profissionais que atuam nas delegacias especializadas no atendimento à mulher”, frisa a diretora Cláudia Garcia, que também participou do ato.

PEC 181

A PEC 181, que criminaliza o aborto em qualquer tipo de situação, foi criticada pelas mulheres presentes nos atos. A medida fortalece a política de criminalização e pressão historicamente imposta à vida e aos corpos das mulheres. “Essa PEC é uma medida hipócrita e machista que atinge, sobretudo, as mulheres de baixa renda. Estamos em 2017, mas poderíamos estar em 1930, tamanho retrocesso. Estão nos tirando direitos. Os abortos continuam sendo praticados de forma precária, colocando em risco a vida das mulheres. A PEC é um dispositivo de controle dos corpos”, acrescenta Evelyn.

Casos de violência

Durante a manifestação foram destacados casos como o de Gabriela Silva de Jesus, 24 anos, que em 24 de agosto foi encontrada morta após ser sequestrada e estrangulada pelo ex-namorado; o de Milena Gottardi, 38 anos, que em 14 de setembro foi assassinada a tiros ao sair do trabalho no HUCAM e cujo marido é acusado de ser o mandante do crime, e o de Claudiana Bom Macota, 35 anos, que foi encontrada morta numa vegetação em Itapemirim, no dia 9 de outubro. O marido dela confessou o crime.

As manifestações pela vida das mulheres contaram com a realização de rodas de conversa e contou com o apoio do Fórum de Mulheres do Espírito Santo, de outros coletivos e feministas independentes. “A nossa ideia foi fazer uma intervenção em dois momentos, com o objetivo de dialogar com a população sobre a realidade da violência contra a mulher no ES”, destaca Emily Tenório, integrante do Fórum de Mulheres.

A manifestação, segundo Emily, contou ainda com uma vigília em memória das mulheres vítimas de feminicídio. “Nessa vigília tivemos uma roda de conversa entre as pessoas que estavam no local para falar sobre a violência contra a mulher no Estado”, acrescenta.

Velas foram acesas na escadaria do Palácio Anchieta durante a vigília

O encerramento do ato contou com apresentação teatral de Luciene Camargo, da Confraria de Teatro, e das atrizes Geana Abreu, Deb Schulz e Aide Malanquine. A peça foi composta por fragmentos do espetáculo “Todas as Ruas Têm Nome de Homem” e adaptada para a luta contra a violência contra a mulher. Em breve a peça terá novas apresentações na Grande Vitória.

Confira a galeria nas redes do ato-ocupação aqui!

Fotos: Sérgio Cardoso.

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