Multinacionais criam autogestão de saúde, enquanto governo brasileiro tenta acabar com modelo

Por aqui, os empregados e aposentados da Caixa e do Banco do Brasil lutam para manter o Saúde Caixa e a CASSI.

Diante dos elevados custos da assistência médica e da necessidade de cuidar da saúde de seus empregados, três grandes multinacionais estrangeiras anunciaram, em janeiro deste ano, a criação de uma companhia sem fins lucrativos para oferecer plano de saúde a cerca de um milhão de empregados. Essa é a estratégia da Amazon, da Berkshire Hathaway e do JPMorgan Chase, que se juntaram para criar uma autogestão de saúde.

Enquanto o mundo dos negócios olha para esse modelo como uma solução a se copiar, o governo brasileiro pretende acabar com os programas de saúde das estatais federais. Por aqui, os empregados e aposentados da Caixa e do Banco do Brasil lutam para manter o Saúde Caixa e a CASSI.

O momento para o modelo das autogestões no Brasil é complicado. Se forem implementadas as resoluções nº 22 e 23 da Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União (CGPAR), do Governo Federal, haverá redução dos investimentos em assistência à saúde das estatais federais e os cerca de 100 programas de autogestão que hoje atendem aproximadamente três milhões de pessoas, se tornarão caros e excludentes para os usuários.

O que pode mudar com as resoluções CGPAR

A limitação do acesso aos aposentados, proibição da adesão de novos empregados, cobranças por faixa etária, períodos de carência e a limitação de investimento das estatais no custeio são determinações que inviabilizam as autogestões. Com o fim da entrada de novos usuários, mais jovens e com baixo índice de utilização dos serviços de saúde, os grupos já existentes ficarão saturados. As pessoas continuarão envelhecendo e usando mais os programas, as estatais investirão cada vez menos e a assistência ficará cada vez mais cara para os trabalhadores. Com isso, muitos acabarão desistindo por não poderem pagar. Enquanto grandes empresas estrangeiras perseguem esse modelo de autogestão, o governo brasileiro tenta asfixiá-lo.

Com informações da Fenae

 

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