Não ao Golpe. A saída é pela esquerda!

A crise política no Brasil impõe a todos um posicionamento. Vivemos um momento de retomada das forças populares, mas também de ofensiva da direita tradicional, ocasionado em muito pelo esgotamento do projeto petista para o país. Durante treze anos, os governos Lula e Dilma colocaram em prática medidas econômicas, sociais e institucionais antipopulares e antinacionais, […]

A crise política no Brasil impõe a todos um posicionamento. Vivemos um momento de retomada das forças populares, mas também de ofensiva da direita tradicional, ocasionado em muito pelo esgotamento do projeto petista para o país. Durante treze anos, os governos Lula e Dilma colocaram em prática medidas econômicas, sociais e institucionais antipopulares e antinacionais, aplicando de forma contundente as orientações da cartilha neoliberal.  Ao invés de consolidar a aliança com os trabalhadores, optaram por ter o grande capital como principal aliado e como base de sua governabilidade, perdendo legitimidade diante daqueles que os elegeram.

Na disputa do segundo turno nas eleições de 2014, Dilma tentou repactuar compromissos abandonados pelo PT, construiu sua imagem como mártir da esquerda, levantou a bandeira da pátria educadora e da defesa do pré-sal. Ao assumir o governo, todavia, conformou de pronto uma equipe ministerial ligada aos interesses de banqueiros, empreiteiras, grandes empresários e do agronegócio, tendo Joaquim Levy e Kátia Abreu como seus principais expoentes. O ajuste fiscal veio rápido, junto com corte de direitos, aumento de juros, corte das verbas para a educação e saúde, ampliação da terceirização e das privatizações, com ameaças à Caixa e ao próprio pré-sal, tão defendidos durante as eleições. Tudo isso combinado como o pagamento irrestrito dos juros e amortizações da dívida pública brasileira.

A crítica às medidas recessivas de Lula/Dilma não significam, contudo, fazer coro com a direita ortodoxa, que tenta claramente assumir o governo para aprofundar as políticas neoliberais, a repressão e o arrocho sobre o povo e os movimentos sociais, e sobre a esquerda de modo geral. O que está em curso hoje, através da articulação de grandes partidos da oposição de direita, com apoio do judiciário e da imprensa burguesa, é um golpe, que resultará na radicalização das mudanças na política econômico-social, avançando sobre os direitos sociais e sobre soberania do país, e ampliando a dependência econômica brasileira.

Ações autoritárias do judiciário corroboram com o fortalecimento desses setores, na medida em que operam seletivamente as investigações na Lava-Jato e que tentam dar sequência a um processo de impeachment sem a devida base legal, uma vez que nenhuma denúncia contra a presidenta Dilma configura, até o momento, crime de responsabilidade. Nesse sentido, defendemos que todas as denúncias de corrupção no país sejam apuradas, de forma irrestrita e sem seletividade, abarcando todos os políticos e partidos notoriamente envolvidos em esquemas de corrupção, entre eles o PMDB, PSDB, DEM, PRP, PP, PSB e PT.

Diante da conjuntura de polarização social, o Sindicato dos Bancários/ES reafirma seu posicionamento em defesa da legalidade democrática e contra qualquer tentativa de golpe institucional no Brasil, mas ratifica sua crítica às políticas implementadas pelo governo Lula/Dilma, de ataque aos direitos dos trabalhadores e de concessões ao grande capital. Nossa compreensão é de que qualquer saída para a crise passa por decisões à esquerda, que apontem para um projeto realmente popular para o país e que envolvam os trabalhadores e os oprimidos.

Por isso, o Sindicato dos Bancários/ES não participou dos atos públicos convocados pela direita, tampouco dos atos convocados por organizações da base do governo. Com a mesma coerência, não participaremos do ato do dia 31 de março, que está se conformando como atividade de defesa do governo, muito mais do que de defesa da democracia. A direção do Sindibancários/ES, eleita sob o princípio da autonomia e independência de partidos, governos e patrões, compromissada com os interesses da classe trabalhadora, convoca bancárias e bancários a participarem do ato do dia 1º de abril – Dia de luta contra as políticas neoliberais do governo e contra as mentiras da direita ortodoxa, onde denunciaremos o golpismo, exigiremos a apuração de todas as denúncias de corrupção, o respeito à Constituição e o cumprimento da legalidade democrática. Nem apoio ao governo Lula/Dilma nem à oposição de direita. É preciso construir uma alternativa anticapitalista pelas mãos das classes populares, das trabalhadoras e dos trabalhadores.

Contra o ajuste fiscal;

Contra a reforma da previdência;

Contra a entrega do pré-sal e em defesa da soberania nacional;

Contra o PLS 555/2015 e as privatizações. Em defesa das empresas públicas;

Contra a PLC/30, das terceirizações;

Pela auditoria da dívida pública já.

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