Não foi acidente! Vale mata mais uma vez

O Sindibancários/ES se solidariza com todos familiares e amigos das vítimas do rompimento da barragem em Brumadinhos (MG), na última sexta-feira, 25. O Sindicato também expressa total indignação com mais esse crime cometido pela Vale, maior mineradora do Brasil e a terceira do mundo. A ganância e a negligência da Vale fizeram o mar de […]

Ato realizado em 2015 na sede da Vale, em Vitória, em protesto contra o crime do rompimento da barragem em Mariana (Foto: Sérgio Cardoso )

O Sindibancários/ES se solidariza com todos familiares e amigos das vítimas do rompimento da barragem em Brumadinhos (MG), na última sexta-feira, 25. O Sindicato também expressa total indignação com mais esse crime cometido pela Vale, maior mineradora do Brasil e a terceira do mundo.

A ganância e a negligência da Vale fizeram o mar de lama ressurgir em Minas Gerais. Desta vez, o crime ambiental e humano, que atingiu a cidade de Brumadinhos, na região Metropolitana da Belo Horizonte, deixou mais de 60 mortos e mais de 288 desaparecidos até o momento, além de devastar a fauna e a flora da região do Córrego do Feijão e matar o rio Paraoeba, que corta Brumadinhos e deságua no rio São Francisco.

A tragédia, infelizmente, já era anunciada. Mesmo após três anos do rompimento da barragem de Fundão,  em Mariana (MG), da mineradora Samarco, pertencente à Vale e à BHP Billinton, o descaso com a situação das barragens nas áreas de mineração da Vale prevaleceu.

Natureza, vidas humanas:  nada disso parecem ter valor quando a extração de minério em larga escala é o que interessa. Em 2018, a Vale distribuiu  R$ 7,7 bilhões em lucros para seus acionistas. No entanto, pagou menos de 6% das multas recebidas após o crime em Mariana e até hoje não indenizou todas as famílias. Pescadores, donos de pousada, marisqueiros e artesãos ainda lutam para serem considerados vítimas do crime ambiental contra o Rio Doce, que era fonte de renda de milhares de famílias e foi brutalmente assassinado com o rompimento da barragem de Fundão em 2015.

Além de destruir o Córrego do Feijão, o crime em Brumadinhos também está sendo considerado o maior acidente de trabalho da história brasileira. Entre as vítimas, o maior número é de funcionários da Vale e de empresas terceirizadas. A nova lei trabalhista, no entanto, penaliza  os  trabalhadores que recebem menos ao estipular que o valor da indenização por dano moral seja de no máximo 50 vezes o valor do salário contratual do empregado. Famílias foram destruídas e podem ainda receber uma indenização irrisória pela perda irreparável de um familiar.

A vida vale mais do que o lucro e a ganância! Reiteramos nossa solidariedade às vítimas desse crime e nosso apoio na luta em defesa da vida, pela responsabilização da Vale que deve arcar com todos os custos de reparação de danos às pessoas e à natureza, e contra esse sistema perverso que privilegia o enriquecimento de alguns em detrimento da vida humana e da natureza. Não foi acidente!

Confira também a nota da Intersindical:

Vale criminosa, Vale assassina

Mais uma vez o mar de lama da Vale faz o Brasil chorar. Mais uma vez a Vale deixa um rastro de mortes e destruição do meio ambiente. O rompimento da barragem da mina do Córrego do Feijão, na cidade Brumadinho, em Minas Gerais, é mais um crime bárbaro da companhia Vale. Neste quinto de dia após o desastre criminoso de Brumadinho, já estão confirmadas 65 mortes e 279 continuam desaparecidas. O rio Paraopeba, que abastece a Região Metropolitana de Belo Horizonte, já está contaminado e a lama tóxica deve chegar no rio São Francisco nas próximas semanas.

Os riscos da extração de minério em larga escala são enormes. Por isso, a segurança dos trabalhadores e das comunidades vizinhas, assim como a proteção ao meio ambiente, exigem altos investimentos e manutenção contínua. Não é o que faz a Vale. O modus operandi da mineradora é a redução de custos para a ampliação os lucros. Apenas em 2018, a Vale distribuiu R$ 7,7 bilhões em lucros para seus acionistas. Apesar de seguidos alertas sobre a segurança de seus minas e apesar do rompimento criminoso da Barragem de Fundão, três anos atrás, em Mariana, a Vale nada fez para prevenir novos desastres. Para a Vale, o lucro está acima da vida e da natureza.

Ao mesmo tempo, o que temos assistido dos poderes públicos é a completa conivência e omissão. O simples funcionamento de barragens de rejeito de minério, por exemplo, é proibido em diversos países. Aqui, além da autorização para operarem, as leis são flexíveis e não há fiscalização adequada. Para piorar, quando ocorrem desastres criminosos, como o de Mariana, as mineradoras não são devidamente responsabilizadas.

Não podemos pagar para ver outro mar de lama assassino. O Estado brasileiro precisa agir com firmeza para dar um basta ao vale do tudo das grandes mineradoras.

Neste momento, a indenização das vítimas deve ser prioridade. A Vale precisa ser responsabilizada não apenas pelas mortes, mas pelos danos causados a todas pessoas atingidas de alguma forma, seja no âmbito da saúde, da moradia ou do trabalho. Além disso, deve ser responsável pela recuperação ambiental da região e todos os rios atingidos pela lama tóxica.

Para isso, a Intersindical – Central da Classe Trabalhadora defende o congelamento, seguido de expropriação dos bens dos responsáveis pelo rompimento da barragem da mina do Córrego do Feijão, o que inclui toda a diretoria atual da Vale.

Quanto ao poder público, é urgente acabar com a flexibilização das leis ambientais, que alivia a fiscalização sobre as mineradoras e permite empreendimentos de altíssimo risco sem a menor condição de segurança. O Estado brasileiro precisa regular de perto a mineração de larga escala.

Este caminho, por sinal, é absolutamente oposto ao que vem defendendo o presidente Bolsonaro e seus ministros. A plataforma do atual do governo é de menos fiscalização das atividades e menos critério no licenciamento ambiental. Essa política criminosa, que o governo atual quer levar às últimas consequências, precisa ser combatida.

A Intersindical também acredita que o momento exige a retomada da luta pela reestatização da Vale, criminosamente privatizada, em 1997, pelo tucano Fernando Henrique Cardoso, e pela revogação da Lei Kandir, que desonera as mineradoras desde 1996, destinando bilhões de dinheiro público a empresas criminosas.

Por fim, reforçamos toda nossa solidariedade com as vítimas. Não foi acidente, foi crime!

Intersindical 

 

Imprima
Imprimir