Negociações sobre segurança não avançam

A Federação Nacional dos Bancos não avançou nas negociações sobre segurança na reunião de hoje e, assim como na rodada de ontem, manteve a negativa às cláusulas apresentadas sobre saúde e condições de trabalho. Diante da postura patronal, o Comando Nacional dos Bancários solicitou que todas as cláusulas relativas aos temas saúde e segurança permaneçam […]

A Federação Nacional dos Bancos não avançou nas negociações sobre segurança na reunião de hoje e, assim como na rodada de ontem, manteve a negativa às cláusulas apresentadas sobre saúde e condições de trabalho. Diante da postura patronal, o Comando Nacional dos Bancários solicitou que todas as cláusulas relativas aos temas saúde e segurança permaneçam na mesa de negociação até o final da Campanha Salarial, e que os banqueiros reflitam sobre a necessidade de avançar sobre esses pontos que dizem respeito à qualidade vida dos bancários.

Segundo o coordenador geral do Sindibancários/ES e representante da Intersindical no Comando, Jessé Alvarenga, o único aceno dos banqueiros foi estender o plano piloto de segurança aplicado em Recife a partir da Convenção Coletiva 2014 – com resultados positivos na redução da violência nas agências bancárias – a outras duas cidades, sendo uma indicada pelos bancários e outra pela Fenaban. Ainda assim, a proposta do Comando era estender para todo o país. “Se deu resultado, por que não ampliar”, questiona Alvarenga.

A Fenaban não aceitou outras propostas dos bancários relativas a equipamentos de segurança, estabilidade no emprego para quem é vítima de sequestro ou assalto no trabalho. “Os bancos não estão preocupados com a segurança e a saúde física e mental dos clientes e empregados, apenas com a segurança patrimonial”, avalia Jessé Alvarenga.

A próxima negociação acontecerá no dia 9 de setembro, quando entra em pauta o tema igualdade de oportunidades. No dia 16 o debate será sobre remuneração.

Segurança

Além da pressão por resultados, metas abusivas e assédio moral, os bancários também convivem com a insegurança nos locais de trabalho. Levantamento realizado pela Contraf e pela Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV), com apoio técnico do Dieese, aponta que 66 pessoas foram assassinadas em assaltos envolvendo bancos em 2014, uma média de 5,5 vítimas fatais por mês. Os ataques a agências e caixas eletrônicos também viraram manchetes diárias nos jornais pelo País. Foram 3.150 ocorrências no ano passado, com uma média assustadora de 8,63 por dia.

O Comando Nacional cobra melhores condições de segurança para bancários, clientes e assistência às vítimas de assaltos, sequestros e extorsão, com atendimento médico e psicológico não só ao empregado, mas também à família do funcionário. Os bancários querem que os bancos sejam obrigados a emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) sobre todos os casos de tentativa ou de assalto consumado, assim como o Boletim de Ocorrência(BO).

Como medida de prevenção aos assaltos, os bancários reivindicam o fim da guarda das chaves por funcionários e que empresas de segurança privada sejam contratadas para o trabalho. A Fenaban também não aceitou, alegando que qualquer pessoa pode ser vítima da violência.

O Comando Nacional rebateu a negativa. Explicou que os bancários são escolhidos a dedo pelo crime organizado. Geralmente, estão entre os trabalhadores que possuem as chaves das agências e as senhas dos cofres e defendeu a estabilidade de emprego, mínima, de 36 meses, ao funcionário vítima de assalto, sequestro ou extorsão.

Projeto-piloto

Para reduzir a violência, os bancários querem a implantação, em todo o País, dos equipamentos e medidas que fizeram do projeto-piloto de segurança. O projeto é uma conquista da Campanha 2012. Foi implantado durante um ano, entre agosto de 2013 e agosto de 2014, em Recife, Olinda e Jaboatão de Guararapes e testou a eficácia de itens que o movimento sindical julga serem necessários para garantir segurança.

Houve a instalação, nas agências, de porta giratória com detector de metais câmeras internas e externas, biombos em frente aos caixas, guarda-volumes e vigilantes armados e com coletes balísticos, além de cofre com dispositivo de retardo.

Segundo dados da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, o número de roubo a bancos caiu pela metade (de 16 para 8) nas cidades do projeto. Entre janeiro e junho de 2014, em comparação com o mesmo período de 2013. O número de arrombamentos teve uma queda de 41,8%, caindo de 110 em 2013 para 64 em 2014. Em relação à “saidinha de banco”, o número de registros em Olinda caiu 46,4%.

Mas os bancos se recusaram, novamente, a replicar estes equipamentos para todo Brasil, preferindo continuar com os projetos-pilotos. Concordaram, apenas, em testar as medidas em outras duas regiões.

Saúde

O Comando Nacional mostrou pesquisas do Dieese, com base nos dados do INSS, as quais evidenciam a relação da rotina estressante de trabalho com os adoecimentos. Os casos de transtornos mentais e comportamentais estão crescendo muito mais rapidamente na categoria bancária e já superam os adoecimentos relativos a LER/Dort. Entre janeiro e março do ano passado, 4.423 bancários foram afastados do trabalho, sendo 25,3% por lesões por esforços repetitivos e distúrbios osteomusculares e 26,1% por doenças como depressão, estresse e síndrome do pânico.

O INSS ainda não divulgou os dados do ano todo de 2014 sobre o setor, mas em 2009 foram 2957 afastamentos por transtornos mentais e comportamentais. Já em 2013, os números saltaram para 5042. Um crescimento de 70,5%. No mesmo período, nas outras categorias, o aumento foi de 19,4%.

Outro não dos bancos foi quando à reivindicação de que garantam aos empregados a participação nos exames e procedimentos previstos no Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), cumprindo na integralidade as disposições da Convenção 161 da OIT, que assegura a participação dos trabalhadores nas questões que tratam da saúde laboral.

Isonomia de direitos e reabilitação

Mais um problema enfrentado pela categoria é a manutenção de direitos para os bancários afastados por acidente de trabalho e motivo de saúde. A reivindicação é que diferença entre benefício recebido do INSS e o salário seja paga pelos bancos.

Os banqueiros responderam que já há várias cláusulas na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) que tratam de ressarcimento de diferenças e que não querem nada de novo relativo ao tema. O Comando Nacional também fez duras críticas aos programas de reabilitação profissional desenvolvidos pelos bancos, cuja elaboração também não conta com a participação dos trabalhadores. São constantes as reclamações recebidas pelos sindicatos revelando que os funcionários são mal atendidos pelo gestor, ou mesmo pelo banco, no retorno ao trabalho.

Mais um agravante para o movimento sindical é a revalidação que os bancos estão fazendo dos atestados médicos dos trabalhadores, colocando em xeque a idoneidade do bancário. 

Diante dos problemas, a Fenaban concordou em marcar novas reuniões com os dirigentes sindicais para debater o tema de saúde, antes do encerramento da Campanha Nacional 2015.

Calendário de negociações

Fenaban

9/9 – Igualdade de Oportunidades

16/9 – Remuneração

Caixa

4/9 – Saúde, Funcef e aposentados

11/9 – Carreira, insonomia e organização do movimento

18/9 – Contratação, condição das agências e jornada

Banco do Brasil

11/9 – Cláusulas sociais e previdência complementar

18/9 – Remuneração e plano de carreira

Com informações da Contraf.

 

 

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