No dia da Consciência Negra, jovens negros reivindicam o fim da violência

Organizada há onze anos pelo Fórum Estadual da Juventude Negra (Fejunes), a XI Marcha Estadual contra o Extermínio da Juventude Negra reuniu centenas de jovens capixabas nas ruas do Centro de Vitória denunciando as mortes de jovens negros moradores das periferias capixabas e cobrando políticas públicas para reverter os alarmantes dados de violência contra a juventude negra.

 

Foto: Hanna Moraes

Nesta terça-feira, 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, centenas de jovens capixabas ocuparam as ruas do Centro de Vitória denunciando as mortes de jovens negros moradores das periferias capixabas e cobrando políticas públicas para reverter os alarmantes dados de violência contra a juventude negra.

Organizada há onze anos pelo Fórum Estadual da Juventude Negra (Fejunes), a XI Marcha Estadual contra o Extermínio da Juventude Negra saiu da Casa Porto, antiga Capitania dos Portos passando pela Av. Jerônimo Monteiro até o Palácio Anchieta e o encerramento foi no Museu Capixaba do Negro com diversas atividades culturais.

A pedagoga Crislayne Zeferina, da coordenação do Fejunes, lembrou os dados do Mapa da Violência que mostram que a cada 23 minutos, um jovem negro é morto no Espírito Santo. “Os dados são alarmantes e há anos ocupamos as ruas, com muita luta e muita dor, para denunciar a omissão do governo estadual. Quem atira e mata a juventude negra é o governador do Estado que ignora essa realidade e finge cuidar da segurança pública. Mas essa segurança pública tem cor e tem endereço. Nós negros somos mais da metade da população capixaba, queremos ter acesso à saúde e educação de qualidade e é dever do Estado garantir políticas públicas que nos atendam e nos deixem viver”, denuncia Zeferina, que é presidente do Conselho Municipal de Juventude de Vitória e da Pastoral da Criança do Território do Bem.

Com o tema “Do luto à luta, o genocídio tem cor e endereço”, a manifestação reuniu estudantes, educadores, integrantes de movimentos populares, representantes de sindicatos e organizações sociais que participaram do ato carregando cartazes reivindicando o fim da violência contra a juventude negra, do preconceito contra a cultura negra e o compromisso do Estado na promoção de políticas públicas que atendam essa parcela da população.

Para Pollyana Pazolini, presidente do Conselho Regional de Serviço Social, a marcha é importante para dialogar com a população sobre o combate ao racismo no país. “Nós, assistentes sociais, temos um compromisso, baseado inclusive no Código de Ética da nossa profissão, de combate ao racismo e a todas as formas de preconceito. Por isso, estamos aqui fortalecendo a marcha e reafirmando nosso compromisso com os movimentos sociais em torno dessa pauta. Estamos no cotidiano do trabalho das políticas públicas e combatemos também o racismo institucional. Então, entendemos que o combate ao racismo a gente faz todos os dias nas ruas e também no nosso exercício profissional”, afirma Pzolini.

A estudante Kaiany Martins, de 14 anos, participou pela primeira vez da marcha e disse que acha importante essa luta contra o preconceito. “Eu já sofri muito preconceito. No ônibus ou na rua eu vejo os olhares estranhos pra mim por conta do meu cabelo afro e da minha cor. Mas na minha casa, minha mãe sempre me incentivou a deixar os cabelos naturais, fazer esse corte assim black power. Antes eu não gostava muito porque era muito olhar estranho e eu achava feio, mas hoje eu gosto e sei que meu cabelo é lindo e é o meu charme”, explica a adolescente.

O Sindibancários/ES marcou presença e denunciou também o racismo nos bancos. Dados do II Censo da Diversidade realizado pela Federação Nacional dos Bancos (Febraban) revelam o forte racismo presente nas instituições financeiras do Brasil. Do total de bancários que responderam à pesquisa, 74,6% são brancos e apenas 24,9% negros. O Censo também aponta um aumento de bancários negros desde 2008, no entanto em relação à remuneração, a discriminação racial é gritante: o salário médio dos negros é equivalente a 87,3% dos bancários brancos.

Fotos: Hanna Moraes

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