Nota sobre as negociações nacionais na Campanha Salarial 2015

Vitória, 25 de outubro de 2015      Desde o início das negociações, a exemplo dos últimos anos, o Governo Dilma e os bancos queriam impor à categoria uma derrota: arrocho salarial com índice abaixo da inflação, sustentado pelo discurso da crise financeira. Os bancários e bancárias mostraram coesão e força e não aceitaram a […]

Vitória, 25 de outubro de 2015     

Desde o início das negociações, a exemplo dos últimos anos, o Governo Dilma e os bancos queriam impor à categoria uma derrota: arrocho salarial com índice abaixo da inflação, sustentado pelo discurso da crise financeira. Os bancários e bancárias mostraram coesão e força e não aceitaram a redução de salários. Diante da pressão, os bancos foram forçados a evoluir na negociação do índice, que passou de 5,5% para 7,5%, chegando a 8,75% e, posteriormente, a 10%. Embora do ponto de vista negocial tenhamos tido avanços significativos, essa proposta não reflete a lucratividade dos bancos, que já chega a R$ 36 bilhões no primeiro semestre de 2015, nem garante aos bancários a valorização merecida com aumento real.

Ao exigir a compensação total dos dias parados, a Fenaban tirou do foco de debate a pauta econômica, girando os esforços da negociação para a não punição aos bancários grevistas. A greve da categoria é legal e legítima, e os dias parados deveriam ser integralmente abonados, por isso somos contra qualquer proposta que tenha compensação ou desconto de dias parados. Não podemos aceitar nenhum tipo de punição aos que lutam de forma legítima pela defesa e garantia de direitos sociais e trabalhistas.

A proposta da Fenaban, mais uma vez, não contempla as reivindicações de emprego, saúde e condições de trabalho – eixos centrais da minuta da categoria. Saímos da negociação sem garantias quanto ao fim das demissões imotivadas, à contratação de mais empregados nos bancos públicos e privados, ao fim das metas e do assédio moral que adoecem os bancários.

Mesmo como o prolongamento da greve, que completou 20 dias neste domingo, 25, a categoria mostrou força e se manteve mobilizada. Em muitos locais, a adesão aumenta, elevando os números da paralisação a cada dia. Por isso, a maioria do Comando Nacional dos Bancários errou ao orientar o fim de uma greve sem esgotar a capacidade de luta da categoria, aceitando uma proposta muito aquém das expectativas dos bancários e bancárias.

Nas negociações específicas com o Banco do Brasil, ao contrário do que é noticiado pela Contraf, não tivemos nenhum avanço significativo. Das principais reivindicações, como revisão da dotação dos PSO’s, PCR com interstício de 3% a cada três anos, isonomia, reposição das vagas oriundas do Programa de Aposentadoria Incentivada, volta da substituição e fim da lateralidade, nenhuma foi aceita.

Nas negociações com a Caixa Econômica Federal também não há sinalização positiva. A Caixa não negociou nada ao longo do ano na mesa permanente e nada durante a Campanha Salarial. A contratação de mais empregados, principal gargalo da categoria, foi textualmente negada, assim como a isonomia. Não aceitaremos que, mais uma vez, a direção da Caixa e o governo federal ludibrie seus empregados e os desrespeite.

A diretoria do Sindicato dos Bancários/ES irá se reunir nesta segunda-feira, 26, para discutir um posicionamento a ser levado para a assembleia que será realizada na mesma data, às 18 horas, no Centro Sindical dos Bancários. A decisão, em última instância, será dos bancários e bancárias presentes na assembleia, que discutirão coletivamente a proposta e decidirão os rumos do movimento paredista no Espírito Santo. O Sindicato dos Bancários/ES reitera o convite para toda a categoria.  

 

Jessé Alvarenga

Coordenador geral do Sindicato dos Bancários/ES

 

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