Novo presidente da Caixa é empossado com missão de fatiar o banco

Pedro Guimarães é especialista em privatizações e possui as mesmas práticas de gestão de Paulo Guedes, economista liberal da escola de Chicago, uma das mais agressivas aos trabalhadores no mundo.

O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, durante cerimônia de posse aos presidentes dos bancos públicos.Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

Tomou posse ontem, 07, em solenidade no Palácio do Planalto, o novo presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães. No discurso de posse, Guimarães não escondeu os planos privatistas do governo Bolsonaro (PSL), por quem foi indicado, enfatizando que umas das metas de sua gestão será vender ativos da Caixa, sob a falsa alegação de geração de crescimento para a empresa.

Guimarães também falou em atuar em prol das comunidades carentes, mensagem que, para o Sindibancários/ES, vai no sentido oposto aos planos já anunciados por ele. “Pedro Guimaraes chega à Caixa com um objetivo muito bem definido: terminar com o que restou do papel público do banco e diminuir, por consequência, as políticas públicas já deficitárias em execução. A população mais carente será a mais penalizada com essa gestão de banco privado, absolutamente distorcida do papel social da Caixa”, alerta o diretor do Sindicato Igor Bongiovani, empregado da CEF.

Pedro Guimarães é especialista em privatizações e possui as mesmas práticas de gestão de Paulo Guedes, economista liberal da escola de Chicago, uma das mais agressivas aos trabalhadores no mundo.

Em nota aos bancários da Caixa, a represente do Conselho de Administração, Rita Serrano, reforça denúncia contra Guimarães. Ela alerta que serão intensificados os processos de privatização de estatais com abertura de capital em operações específicas, numa espécie de fatiamento que já vem sendo denunciada pelo Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, do qual Rita é coordenadora. “Não é mais o leilão tradicional, mas a venda por operações, como Loterias, Seguros, Cartões e Asset, no caso da Caixa”, explica.

Vale destacar que o escolhido por Bolsonaro e Paulo Guedes para presidir a Caixa é um banqueiro em processo de falência e genro de Léo Pinheiro – ex-executivo da OAS condenado por corrupção ativa, sob a acusação de pagar propina a políticos em troca de favorecimentos para sua empreiteira, mas solto após fechar acordo de deleção premiada e incriminar Lula. Pinheiro pegou pena inicial de 10 anos e oito meses de prisão, mas após oferecer delação citando o nome de Lula, teve a pena reduzida para 3 anos e 6 meses de reclusão em regime inicial semiaberto.

Já o banco do qual Guimarães é sócio é o Brasil Plural, que fechou os dois últimos anos no vermelho, segundo informações do Banco Central.

Para o Sindibancários/ES, a redução da Caixa Econômica reforçaria o cartel bancário dos bancos privados, afetando ainda mais a população brasileira, que já paga uma das maiores taxas de juros do mundo. É o que afirma o diretor Igor Bongiovani, que enfatiza a necessidade de união da categoria para defender a Caixa 100% pública.

“O Brasil é campeão no spread bancário e em taxas de juros. A privatização das subsidiárias e o enfraquecimento da Caixa só interessam ao capital financeiro, que lucrará ainda mais. Nunca precisamos de tamanha união da categoria e da população para derrotar esses retrocessos”, afirma Igor.

 

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