Occhi segue cartilha de Temer e anuncia cortes na Caixa

Redução do quadro de empregados e venda da Lotex e Caixa Seguridade foram as medidas anunciadas por Occhi, que cumpre à risca a política do golpista Temer de privatização e enfraquecimento das empresas públicas brasileiras

A exemplo da reestruturação proposta pela direção do Banco do Brasil, o presidente da Caixa, Gilberto Occhi, anunciou na última segunda-feira, 21, novo programa de incentivo à aposentadoria que pretende atingir cerca de 11 mil empregados.

Occhi também reafirmou a intenção de abrir o capital de duas empresas que compõe a estrutura da CEF, a Lotex e Caixa Seguridade, medidas que devem fortalecer o ajuste fiscal do governo Temer, enfraquecendo a Caixa como banco público e se sobrepondo aos interesses dos trabalhadores.

As consequências das mudanças atingem tanto empregados do banco como a sociedade, como destaca a diretora do sindibancários/ES e empregada da Caixa, Rita Lima.

“O governo não conseguiu colocar a Caixa em processo direto de privatização, por isso promove o loteamento das suas operações, privatizando-a pouco a pouco. Privatizar a Lotex e a Caixa Seguridade significa retirar o Estado do mercado para que empresas privadas possam entrar, o que esvazia o caráter público da CEF e fortalece o privado. E estamos falando de duas empresas rentáveis, cujos lucros são revertidos para a Caixa Econômica e, consequentemente, para as políticas que ela gerencia”.

O incentivo à aposentadoria também vem sendo usado de forma sistemática pelo banco para enxugar o número de funcionários e reduzir despesas com pessoal. Em 2015, cerca de 3.200 trabalhadores deixaram a Caixa por meio do Programa de Apoio à Aposentadoria (PAA), reaberto em 2016 sem que a Caixa fizesse a reposição do quadro de empregados, incentivando novos desligamentos. Somente entre junho de 2015 e junho de 2016, a Caixa fechou 2.235 postos de trabalho, reduzindo o quadro de pessoal de 97.922 para 95.687 empregados. A preocupação é que a nova onde aposentadoria estimulada gera ainda mais sobrecarga nas agências.

“Se a Caixa diminui onze mil empregados e não contrata ninguém, isso gera automaticamente mais sobrecarga e demora no atendimento. É um problema grave diante de um quadro já defasado de funcionários, situação que vem gerando adoecimento físico e psicológico na categoria”, diz Lima.

Para a diretora, a medida também é uma forma de desmontar a Caixa, uma vez que “esses trabalhadores de carreira trazem consigo a memória da instituição, que perde em expertise e em qualidade no serviço”.

Venda da Lotex

Em decreto publicado no  dia 13 de outubro, o governo federal repassou ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a responsabilidade pela venda à iniciativa privada do serviço público de Lotex.  O BNDES será responsável pela execução e pelo acompanhamento do processo de desestatização dos serviços. Anteriormente, a atribuição era do Banco do Brasil.

Ainda segundo o decreto presidencial, caberá ao BNDES  “divulgar e prestar as informações concernentes exclusivamente ao processo de desestatização, inclusive para atendimento de solicitações do Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos da Presidência da República e demais poderes competentes”.

“O BNDES é o único banco de desenvolvimento que promove o desemprego. Na medida em que  aceita ser responsável pela venda da Lotex, o BNDES está promovendo o fechamento de postos de trabalho e a entrega do patrimônio dos brasileiros ao setor privado”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges.

O Ministério da Fazenda será o responsável pela coordenação e pelo monitoramento dos procedimentos e das etapas do processo de desestatização.

Fechamento de agências

Após abertura da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) realizada na segunda-feira em Brasília, o presidente da Caixa afirmou que o fechamento de agências só acontecerá em último caso, mas será feita revisão permanente de avaliação de desempenho das unidades, que poderão trazer mudanças para as que não estiverem cumprindo as metas exigidas pela instituição.  “Se for necessário, vamos adotar medidas que podem ser redução do tamanho da unidade, transferência de local, transformação em posto de atendimento ou, em último caso, fechamento”, disse Occhi, conforme noticiou o Valor Econômico.

Segundo Occhi, das 3,7 mil unidades no país, pelo menos 100 estariam na mira da direção do banco.

“As medidas de reestruturação de BB e da Caixa fazem parte do processo de desmonte das empresas públicas nacionais para abrir espaço para os bancos privados. Isso tem a ver com os compromissos assumidos por Temer de fortalecer o capital privado e fazer o ajuste fiscal, dirigido inclusive por grandes executivos de bancos privados que hoje compõem o governo. Mas como promover desenvolvimento econômico sacrificando as estruturas estatais mais lucrativas? O BB é segundo maior banco do país e a Caixa o terceiro. Abrir mão desse patrimônio é abrir mão da nossa soberania”, critica Rita Lima.

Com informações da EBC Agência Brasil

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