Ocupação no centro de Vitória continua pelo direito à moradia

As famílias estão vivendo no imóvel desde o dia 6 de maio, mas antes ocupavam um terreno localizado na região de São Pedro, de onde foram expulsas. Maioria se uniu à luta por moradia por não conseguir mais arcar com as despesas.


Desprovidas de moradia própria e com dificuldades para seu sustento, diversas famílias ocupam desde o último dia 6 de maio o Edifício Presidente Vargas, uma antiga propriedade da União localizada na Praça Costa Pereira, centro de Vitória. O prédio  funcionava anteriormente como sede do Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários (IAPI), e embora já tenho sido destinado pela lei para atender a fins de moradia social, encontra-se há anos ocioso e em estado de deterioração e abandono.

A luta por moradia do movimento Alto Grande Vitória adquiriu força no início de abril, quando cerca de 700 famílias ocuparam um terreno vazio na região de São Pedro, chamado de “Fazendinha”. Após 23 dias de ocupação um pedido de reintegração de posse determinou que a área fosse esvaziada numa operação realizada de forma truculenta pela Tropa de Choque da PM. “Era trator arrebentando tudo, foi terrível”, relembra Maria Clara da Silva, 82 anos, coordenadora do Movimento Nacional de Luta Pela Moradia.

Sem ter onde se abrigar e com o intuito de estabelecer um diálogo com a prefeitura, os ocupantes passaram a acampar na Casa do Cidadão de Vitória, em Maruípe, para depois se instalarem no Edifício Getúlio Vargas. A União entrou com um pedido de reintegração de posse, mas uma decisão liminar da Justiça Federal expedida no último dia 10 pelo juiz Rodrigo Reiff Botelho negou o pedido. O juiz determinou um prazo de 15 dias para que seja elaborado um plano de desocupação e realocação das famílias que estão vivendo no imóvel.

Ao ouvir os relatos, percebe-se que o aluguel compromete significativamente a renda dos ocupantes, e um número expressivo de famílias conta que vivia em moradias precárias, em alguns casos em espaços com concentração maior do que 3 pessoas por quarto e até mesmo dividindo a moradia com outra família.

Na entrada do edifício ocupantes recebem as doações trazidas pela população e convidam as pessoas a conhecerem suas instalações e suas motivações de luta. Subindo dois curtos lances de escada pouco iluminadas alcança-se o segundo andar do prédio, onde a luz do sol consegue atravessar com mais facilidade as vidraças quebradas que cercam um amplo salão. Em uma das paredes personagens infantis foram pintadas ao lado de pequenas mãos carimbadas em tinta azul; em outro canto, um cartaz especifica as regras da ocupação.

Patric Alves da Silva, 30 anos, assume múltiplas funções no movimento: além de ser um dos responsáveis pela cozinha, participa dos momentos de recreação cantando e tocando violão. Enquanto corta os vegetais que serão preparados para o jantar, ele conta que fazia faculdade e morava de aluguel em Santa Rita, Vila Velha. Desempregado e não conseguindo mais arcar com as despesas, Patric interrompeu os estudos e depois se uniu à luta pelo direito à moradia.

Adriana Ferreira, 30 anos, morava com 4 filhos em Bela Vista, Vitória, e não sabe como vai continuar pagando o aluguel depois de ficar desempregada.  Para ela, a experiência de ocupar o imóvel ao lado de outras famílias tem sido um aprendizado muito grande, e ressalta que a união dessas pessoas têm contribuído para a força do movimento. “Aqui o povo é como uma família, todo mundo solidário, ajudando um ao outro, lutando pela nossa causa. Porque se depender do governo estava todo mundo despejado”, conta.

Fotos: Andre Alves

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