Banestes – Operadores noturnos podem sofrer corte de salário após terceirização

Terceirização no CPD afetará vida de bancários e bancárias e representa uma profunda precarização das relações de trabalho no Banestes

PRÉDIO DO CENTRO DE PROCESSAMENTO DE DADOS DO BANESTES (CPD),
ONDE ESTÁ INSTALADO O SETOR DE TELEMARKETING QUE FOI TERCEIRIZADO

É dramática a situação dos operadores de telemarketing que trabalham no turno da noite na Coordenadoria de Atendimento Remoto ao Cliente do Banestes (Coarc), setor de telemarketing do Centro de Processamento de Dados (CPD) que será terceirizado.

A empresa Sollo, que ganhou a licitação, começa a operar dia 17 de julho. A partir de então, a função de operador de telemarketing será extinta, e os oito bancários que trabalham no local serão realocados na função de Caixa. Desse total, cinco são encarregados noturnos, com jornada de 12X60h. Para esses, a mudança representa uma perda de até 40% da remuneração mensal. Isso porque eles recebem desde 2003 um adicional noturno diferenciado, que será perdido com a movimentação.

O Sindicato já se organiza para notificar o banco em relação à redução salarial dos empregados e a qualquer outro prejuízo decorrente da terceirização, como a realocação de função. “Vamos intervir junto ao banco buscando negociação e, se preciso for, recorreremos à justiça para impedir que os empregados sejam lesados”, afirma Jornas Freire, coordenador geral do Sindicato.

Jonas critica a falta de diálogo com o Sindicato sobre a movimentação dos bancários. “O banco deveria ter nos procurado para ajudar a conduzir uma alternativa, mas ao invés disso, a única possibilidade que deu aos bancários foi a adesão a um plano de demissão, sem sequer especificar os termos ou benefícios”.

Na Coarc, o clima é de desmotivação. “Os bancários estão se sentindo desrespeitados, alguns têm 30, até 35 anos de banco, é uma vida dedicada à instituição para serem desvalorizados dessa forma”, conclui Jonas.

Problema vai além

O Sindibancários/ES vem criticando desde março o processo de terceirização no CPD, preparado após notificação do Ministério Público sobre irregularidades no contrato dos 87 estagiários que trabalhavam no setor, que agora serão substituídos por empregados da prestadora de serviços.

Para o Sindicato, a terceirização no Coarc representa uma maior precarização das relações de trabalho e podem abrir um precedente grave no banco. A defesa da entidade é de que os estagiários sejam substituídos por concursados, que passariam a integrar o quadro de funcionários do banco.

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