Os gamela: luta por terra e identidade

Grupo reivindica direito à território anteriormente pertencente a seus antepassados; o número é de pelo menos 13 feridos em conflito no último dia 30.

No penúltimo domingo, 30 de abril, explodia entre agricultores locais e índios da etnia gamela um confronto que deixaria pelo menos 13 feridos no município de Viana, no Maranhão. A região vem sendo palco de disputas há anos, e mais recentemente, em 2015, uma onda de ocupações territoriais empreendida pelos indígenas acabou por criar um cenário ainda mais propício para os choques culturais e de interesses.

O embate é mais um episódio de uma luta recorrente em todo o Brasil. Em função da colonização, das invasões e da grilagem os índios foram progressivamente expulsos de suas terras; com seus processos de reconhecimento do solo dependentes das burocracias estatais e reféns dos conflitos de interesse ditados pelo capital, os povos originários são privados de seus direitos e têm suas próprias identidades colocadas à prova – a luta territorial indígena, portanto, nunca esteve dissociada da luta identitária.

De acordo com os gamela, existem cadastrados 1185 índios da etnia na região do conflito, mas isso não impede que seu reconhecimento como povo originário seja questionado por moradores não-indígenas da cidade, ainda que existam leis que assegurem aos povos indígenas e tribais o direito de definirem a sua própria identidade.

A Funai, órgão responsável pelas demandas indigenistas, vem sofrendo por parte do Governo uma série de desmontes e cortes de orçamento, criando ainda mais entraves nos processos de titulação de terras. Em tempos de retiradas de direitos e de políticas que tem virado as costas às minorias, os gamela encontram-se desde o dia 30 na aldeia que ergueram na região, fruto da primeira ocupação que empreenderam, em 2015, aguardando uma resposta para seu pedido de reconhecimento de território e um basta para as inúmeras violências das quais são vítimas.

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