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segunda-feira, 6 de setembro de 2010
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15/03/2010 16:04
Vigília pelos direitos humanos termina com ocupação da Sejus/ES

Jessé Alvarenga, coordenador geral do Sindicato, apresenta apoio ao movimento
Foto: Sérgio Cardoso

Na manhã desta segunda-feira, dia 15, as escadarias do Palácio Anchieta amanheceram de luto. Durante toda a manhã, cerca de duzentos manifestantes, entre eles estudantes, sindicalistas, integrantes do movimento de direitos humanos, das pastorais e Arquidiocese de Vitória, de associações e organizações populares, realizaram uma vigília, ocupando as escadarias do Palácio para denunciar a situação caótica dos presídios capixabas.

O protesto aconteceu ao mesmo tempo em que o presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos, Bruno Alves de Souza, apresentava o relatório da situação carcerária do ES no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça.

Os manifestantes cobriram as escadarias com faixas roxas e pretas para simbolizar que a sociedade capixaba está de luto. Além das faixas, foram expostas imagens da violência e das atrocidades que são cometidas, cotidianamente, contra a população carcerária no estado. O ato também questionou o fato de os jornais capixabas – sobretudo A Tribuna que censurou o artigo “As masmorras de Hartung aparecerão na ONU”, do jornalista Elio Gaspari – não abordarem a questão dos presídios, numa atitude de blindagem do governo do Estado.

“O ato demonstrou que os movimentos e organizações capixabas estão atentos ao que está acontecendo nos presídios do estado. São celas metálicas, mulheres vivendo em contêineres, torturas, esquartejamentos e humilhações constantes”, disse Gilmar Ferreira de Oliveira, integrante do Conselho Estadual de Direitos Humanos. E acrescentou, “o apoio da sociedade é fundamental para continuarmos essa luta. Muitos de nós sofremos ameaças e é fundamental mostrar que temos a sociedade capixaba do nosso lado”.

Após a vigília, os manifestantes ocuparam a Avenida Jerônimo Monteiro, em frente ao Palácio, e fizeram a encenação de um Júri Popular das ações de Paulo Hartung, condenando o governo do estado pela situação caótica dos presídios capixabas e pela falta de uma política de segurança pública que priorize a vida, a justiça e o respeito aos direitos humanos.

“Nós nos mobilizamos para estarmos aqui hoje porque a situação que ocorre nos presídios do Espírito Santo nos causa muita indignação. O nosso código de ética profissional fala de forma muito clara da importância da defesa intransigente dos direitos humanos, contra os arbítrios e o autoritarismo. Estamos aqui, professores e estudantes do serviço social, porque não podemos ficar indiferentes a essa realidade”, a afirmação é da chefe do Departamento de Serviço Social da Ufes, professora Vanda Valadão, que liberou os estudantes do curso para participarem do ato, compreendendo a importância de a sociedade capixaba se posicionar sobre o tema.

Os manifestantes finalizaram o ato caminhando até a Secretaria de Estado da Justiça do Espírito Santo, onde realizaram uma ocupação simbólica e conversaram com o subsecretário para assuntos do sistema penal, José Otávio Gonçalves, reivindicando uma verdadeira política de segurança pública para o estado.

De acordo com o Padre Xavier, coordenador da Pastoral do Menor, não basta construir mais presídios, é necessário e urgente humanizá-los. “Queremos uma outra política de segurança pública, queremos outra cultura de funcionamento nos presídios, onde a Constituição seja respeitada, assim como a Lei de execução penal e os direitos humanos”, afirma Xavier.


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