Dia do Trabalhador: bancários participam de protesto junto com magistério capixaba no 1° de Maio
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Enquanto os professores clamam por respeito, a CUT é patrocinada pelas prefeituras de Vitória e Vila Velha e pelo Governo do Estado nas comemorações do 1º de Maio |
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Foto: Sérgio Cardoso |
No último domingo, 1º de Maio, os diretores do Sindicato dos Bancários/ES se uniram aos professores dos municípios da Grande Vitória para protestar contra a criminalização do movimento grevista dos trabalhadores e para exigir uma educação pública de qualidade no Estado. O ato teve início às 9 horas, no Píer de Iemanjá, em Camburi, e contou com a presença da Intersindical, organização nacional que propõe novos rumos para o sindicalismo brasileiro. Em outro evento paralelo, também na Praia de Camburi, a CUT realizou as comemorações do 1º de Maio com o apoio das prefeituras de Vitória, Vila Velha e do Governo do Estado.
Em greve desde o dia 14 de março e sob ameaças de corte de ponto, multas e até prisão de dirigentes sindicais, os representantes do magistério em Vitória denunciaram a alarmante estrutura física das escolas, os baixos salários dos professores e a negligência da prefeitura, que se nega a discutir com a categoria. A situação é parecida nos demais municípios. Os professores de Guarapari e de Serra estão com as atividades paralisadas desde o dia 11 de abril. Em Cariacica, o movimento começou no dia 25 e em Vila Velha no dia 28 de abril.
“Mais do que reivindicar as perdas salariais, os professores estão lutando por melhores condições de ensino. Mas, infelizmente, esta luta está sendo vista como crime pelas prefeituras”, ressaltou Daniel Barbosa, diretor de Políticas Educacionais do Sindicato dos Professores (Sindiupes).
As prefeituras de Vitória, Serra e Cariacica recorreram à Justiça e conseguiram a decretação da ilegalidade da greve, com multas diárias para o Sindiupes. Segundo reportagem do jornal A Tribuna da última quinta-feira (28), o prefeito de Vitória, João Coser (PT), entrou com uma ação na Justiça pedindo a prisão dos diretores do Sindiupes e o bloqueio dos bens e da conta bancária do Sindicato.
“Subir no palanque e fazer discurso é fácil. Entretanto, é no cotidiano que a gente percebe quem está realmente comprometido com a luta dos trabalhadores. O prefeito João Coser, do PT, foi o primeiro presidente da CUT no Estado. Agora, ao mesmo tempo em que a Prefeitura de Vitória é uma das patrocinadoras do evento organizado pela Central Única dos Trabalhadores no 1° de Maio, ele tenta cercear a liberdade de organização dos professores, garantida pela Constituição. É uma contradição muito grande”, destaca Carlos Pereira de Araujo (Carlão), secretário geral do Sindicato dos Bancários e integrante da Intersindical.
Jonas Freire, também diretor do Sindicato, reafirmou o apoio dos bancários à greve dos professores e criticou a postura da CUT. “Por mais um ano, a CUT escolhe um 1° de Maio de espetáculos, de grandes shows, em detrimento da discussão política. Ao se aliar a governos que intimidam e criminalizam os trabalhadores, a CUT demonstra falta de autonomia e de comprometimento com as bandeiras históricas do sindicalismo. Neste 1° de Maio, reivindicamos um movimento sindical autônomo, sem atrelamentos a governos e patrões, que seja combativo e que, de fato, consiga responder às demandas dos trabalhadores”, finaliza.

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