Paulo Guedes sonda Bank of America sobre fusão com BB

Guedes manifestou interesse de que o Bank of America viesse para o Brasil e se juntasse ao BB. Não há, no entanto, nenhuma negociação formal nesse sentido.

O futuro superministro da economia do governo Bolsonaro, Paulo Guedes, teria manifestado, em conversa pessoal com Alexandre Bettamio, chefe do Bank of America para a América Latina, o interesse de que o banco se juntasse ao Banco do Brasil.

A informação é do site Valor Econômico, que repercutiu na manhã desta quinta-feira (08) notícias que vinham ganhando ressonância em outros veículos. O Site “Poder360” noticiou ontem (07) a intenção de Paulo Guedes de propor uma fusão entre o Banco do Brasil e o maior banco americano, o Bank of America. Para um segundo site, “o antagonista”, Guedes teria dito que a fusão era apenas uma “ideia para o futuro” e que não há “nada na mesa”.

Segundo apuração do Valor, a conversa entre Guedes e Bettâmio “versou sobre temas variados, como a reforma da Previdência e, no meio dela, Guedes teria comentado de forma genérica que seria muito bom se, no futuro, um banco estrangeiro como o BofA pudesse vir para o Brasil para se juntar ao BB. A troca de ideias sobre o assunto não teria ido além desse comentário. Na sede do Bank of America, as notícias sobre uma eventual fusão com o Banco do Brasil causaram enorme surpresa”.

As intenções privatistas de Bolsonaro e seu orientador econômico não são novidades, mas a sinalização de fundir o Banco Brasil com um grande banco de mercado acende um alerta para os empregados do BB e aumenta as contradições do futuro governo, uma vez que Bolsonaro já havia afirmado que o banco não está na lista de empresas a serem privatizadas.

“Ainda que essa não seja uma negociação formal para privatização do BB, Guedes deixa transparecer seu interesse em torná-lo num banco puramente de mercado. Isso pode ter consequências várias, como uma reorientação da gestão do Banco do Brasil no próximo governo, com redução do seu papel social, ou culminar efetivamente numa privatização. Sabemos que Bolsonaro e Paulo Guedes seguem a cartilha liberal e precisamos ficar alertas”, afirma Thiago Duda, diretor do Sindicato dos Bancários e empregado do BB.

O diretor do Sindicato lembra que as ameaças privatistas ao BB não são novas, mas se intensificam com a perspectiva do novo governo.

“Durante o governo Dilma tivemos um executivo do Bradesco (Tarcisio Godoy) assumindo a presidência do Conselho de Administração do BB, o que já sinalizada um alinhamento do banco ao sistema financeiro privado, mas ainda nacional. Agora, uma possível aproximação com o Bank of América pode colocar o BB numa condição de subordinação direta ao sistema financeiro internacional, com fortalecimento do monopólio financeiro internacional. É grave”, destaca.

Alexandre Bettamio chegou a ser convidado por Bolsonaro para presidir o BB, mas recusou a proposta alegando motivações pessoais. Apesar disso, executivo tem sido aliado na elaboração do programa de governo do presidente eleito.

Com informações do Valor Econômico

Foto de capa: Daniel Ramalho

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