Governador manda PM reprimir trabalhadores na greve geral

Apesar da repressão policial, os trabalhadores e trabalhadoras permaneceram nas ruas em protesto contras as reformas trabalhista, da Previdência, pelo Fora Temer e por eleições gerais diretas.

A jornada de lutas contra as reformas trabalhista e da Previdência, pelo Fora Temer e por eleições gerais diretas teve prosseguimento no dia 30 de junho com a greve geral, que aconteceu em todo o país. No Espírito Santo, centrais sindicais, movimentos sociais da cidade e do campo foram reprimidos pela Polícia Militar a mando do governador. Os trabalhadores e trabalhadoras se concentraram em três pontos: Carapina, Ufes e Rodoviária de Vitória. Os que estavam neste último local seguiram rumo à Assembleia Legislativa, na Enseada do Suá, para se juntarem aos demais, embora tenham sido agredidos pela Tropa de Choque durante a maior parte do trajeto.

“Paulo Hartung mandou atirar bomba de borracha e gás lacrimogênio nos trabalhadores e trabalhadoras, que exerciam o direito legítimo de manifestação”, afirma o diretor do Sindicato dos Bancários/ES, Carlos Pereira de Araújo, o Carlão.

A tropa de choque da Polícia Militar jogou bala de borracha e gás lacrimogênio contra os trabalhadores durante grande parte do trajeto do Centro de Vitória até a Assembleia Legislativa

Para Carlão, a jornada de lutas, composta pela greve geral do dia 28 de abril, pelo Movimento Ocupa Brasília, ocorrido em 24 de maio; e pela greve geral do dia 30 de junho, mostra o enfrentamento que a classe trabalhadora brasileira tem feito com a elite econômica.

“Essa elite, que não chega a 2% da população, é representada por banqueiros nacionais e internacionais, mineradoras, grandes exportadores e importadores e as mega empresas do ramo do agronegócio. Ela tem o apoio da maioria dos deputados e senadores, que representam o governo golpista de Temer, para destruir os direitos trabalhistas e previdenciários para que essa elite econômica possa ampliar suas riquezas explorando ainda mais os trabalhadores e trabalhadoras. Grande parte desses parlamentares está envolvida em esquema de fraude, de caixa 2 para garantir suas eleições. O próprio presidente Temer é denunciado por corrupção ”, diz.

O sindicalista destaca que a corrupção não está presente somente em âmbito federal, pois no Espírito Santo também há uma elite política que sustenta o golpe contra a classe trabalhadora. Por isso, a manifestação do dia 30 de junho foi a até a Assembleia Legislativa.

“O representante da política de Temer no Estado é Paulo Hartung, conhecido no submundo da corrupção do Caixa 2 como baianinho. É ele que articula com os deputados federais e senadores capixabas para aprovar as medidas de retirada de direitos. Assim, ele mostra a sua fidelidade à elite econômica, a quem beneficia com isenções fiscais. Quanto aos deputados estaduais, eles nos envergonham ao não cumprir o papel de fiscalizar, de fazer leis que beneficiem o povo”, salienta.

Manifestantes em frente à Assembleia Legislativa

Carlão afirma que um dos objetivos de Temer, e também de Paulo Hartung, é inviabilizar a Operação Lava Jato, na qual ambos são citados. O diretor do Sindibancários faz um alerta para a classe trabalhadora capixaba.

“Temos que acompanhar não somente o posicionamento dos parlamentares capixabas em relação às reformas, mas também em relação ao processo que determinará se o Supremo Tribunal Federal poderá ou não investigar o presidente ilegítimo Michel Temer por corrupção passiva, já que para isso será necessária votação na Câmara dos Deputados”, diz.

Para o coordenador geral do Sindibancários, Jonas Freire, a greve geral do dia 30 de junho teve boa adesão do bancários e bancárias.

“A participação da categoria bancária foi significativa. Conseguimos mobilizar a base. Os bancários e bancárias estão fortalecendo essa luta e vão fortalecer as outras que virão. É importante a união da nossa categoria com as demais, pois a unidade constrói a resistência de fato”, afirma.

Trabalhadores  e trabalhadoras planejam novas manifestações

As mobilizações da classe trabalhadora não terminam com a greve geral do dia 30 de junho

De acordo com o diretor do Sindibancários, Idelmar Casagrande, a previsão é de que a reforma trabalhista seja votada no plenário do Senado ainda esta semana. Contudo, os trabalhadores e trabalhadoras se manterão firmes na luta contra a retirada de direitos. As centrais, sindicatos e movimentos sociais farão uma avaliação da greve geral do dia 30 de junho para traçar novas estratégias de mobilização.

“Queremos destruir o que chamam de reforma trabalhista. Querem retirar todos nossos direitos, nos submeter a condições miseráveis, similares ao trabalho escravo. Essa é a ordem da elite. Também querem destruir a Previdência, fazer com que os trabalhadores contribuam sem ter o direito de se aposentar. Essa é uma lógica que não aceitaremos jamais”, enfatiza Carlão.

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