Pedro Guimarães amplia indicações de mercado na direção da Caixa

Das 9 vice-presidências da Caixa cujos comandos foram trocados recentemente, 5 foram entregues a quadros externos e sabidamente ligados ao setor privado, enquanto 4 foram ocupadas por empregados de carreira

O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, durante cerimônia de posse aos presidentes dos bancos públicos.Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

Alinhado à política neoliberal de Bolsonaro e de seu ministro Paulo Guedes, o atual presidente da Caixa, Pedro Guimarães, está perto de concluir o processo de substituição das vice-presidências do banco que abriu o núcleo gestor da Caixa para nomes do sistema financeiro privado.

Tomaram posse na última segunda-feira, 25, os novos executivos que assumirão as vice-presidências de Clientes, Negócios e Transformação Digital; Finanças e Controladoria; Gestão de Pessoas; Administração e gestão de Ativos de Terceiros; e Tecnologia da Informação.

Entre os selecionados, três possuem vinculação com o mercado: André Tosello Lanoni, que assumirá a Vice-presidência de Finanças e Controladoria, ocupou cargos estratégicos nos bancos UBS, Barclays, Goldman Sachs e Unibanco. Luciane Ribeiro será a nova vice-presidente de Administração e Gestão de Ativos de Terceiros. Ela foi CEO de Asset Management nos bancos Santander, ABN Amro e Safra.  Já a vice-presidência de Tecnologia e Informação ficará com Cláudio Salituro, alto escalão de empresas nacionais e internacionais no ramo financeiro, de cartões de crédito e de Telecomunicações, como Cielo, Fidelity, IBI e Orbitall.

Apenas dois funcionários de carreira foram escolhidos para os cargos: Valter Gonçalves Nunes, que será vice-presidente de Clientes, Negócios e Transformação Digital; e Roney de Oliveira Granemann, que assumirá a vice-presidência de Pessoas.

Para a diretora do Sindibancários/ES Lizandre Borges, essa composição representa “a consolidação da ingerência do mercado na direção da Caixa, aprofundando cada vez mais as políticas que tornam a Caixa um banco comercial e a distanciando da sua função primeira, que é a função social e pública”.

Segundo a diretora, a nomeação de quadros externos ao banco é um desrespeito ao corpo funcional da Caixa, que tem “capacidade e formação para a ocupar esses cargos”.

“O que o atual governo está fazendo é uma privatização mascarada da Caixa, começando pela própria diretoria, que vai facilitar a venda dos ativos e o esvaziamento do banco”, critica. Lizandre questiona a imparcialidade dos executivos de mercado para gestar as políticas administradas pela Caixa. “São profissionais sabidamente ligados a outras instituições financeiras, como ficam as questões de sigilo do banco e de interesse da Caixa? A estratégia da Caixa vai por água abaixo”, aponta.

A ocupação dos cargos da alta administração da Caixa seguiu seleção pública que admite a contratação de quadros externos, já sob as regras no novo estatuto, cujas alterações foram comandadas pela então presidente do Conselho de Administração (CA), a capixaba Ana Paula Vescovi.

Em novembro de 2018, ainda com Vescovi no CA e no apagar das luzes do governo Temer, foram escolhidos os nomes para as vice-presidências de Governo, de Fundos de Governo e Loterias, de Habitação e de Corporativo, cujos nomeados foram, respectivamente, João Carlos Gonçalves da Silva, Roberto Barros Barreto, Jair Luiz Mahl e João Eduardo de Assis Pacheco.

Barreto e Mahl são empregados de carreira. Já João Eduardo de Assis Pacheco atuou no Santander, Safra e Mercantil de Investimentos. E João Carlos Gonçalves da Silva trabalhou na SPDA (Companhia São Paulo de Desenvolvimento e Mobilização de Ativos), da Prefeitura de SP, banco ABC Brasil e banco Fator. Ele também foi assessor técnico em processos de privatizações como o da Cedae, Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro.

Não é novidade o interesse de banqueiros privados em serviços prestados pela Caixa. Em novembro do ano passado, o presidente do Santander, Sérgio Rial, defendeu o fim de monopólios nos serviços financeiros, como depósitos judiciais, folhas de pagamento e a gestão do FGTS.  Já em dezembro, foi a vez do presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, declarar que o banco já está de olho em possíveis áreas da Caixa e do Banco do Brasil que venham a ser privatizadas no governo Bolsonaro.

Das 9 vice-presidências da Caixa cujos comandos foram trocados recentemente, 5 foram entregues a quadros externos e sabidamente ligados ao setor privado, enquanto 4 foram ocupadas por empregados de carreira. Para que o quadro de dirigentes esteja completo, resta apenas selecionar o vice-presidente de Risco.

Mobilização é necessária

Rita Lima, também diretora do Sindicato, vê o fatiamento da Caixa como estratégia de privatização claramente anunciada pelo governo Bolsonaro. Para ela, a manutenção da Caixa como empresa pública depende fundamentalmente da unidade dos empregados. “Temos enfrentado a ameaça de privatização da Caixa há muitos governos, mas cada vez a investida no capital privado é mais forte. Precisamos responder à altura. Não há saída para o corpo funcional que não seja resistir e convocar a sociedade para defender a Caixa. O impacto do enfraquecimento do banco e do esvaziamento das políticas públicas geridas pela Caixa será inestimável para a população, em especial para os mais pobres”, destaca.

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