Pensando somente no lucro, Caixa impõe aumento de tarifa bancária

O aumento se dá com a imposição da Cesta Super para condomínios com até 30 apartamentos

A Caixa Econômica enviou comunicado às agências informando sobre a obrigatoriedade da migração dos condomínios com até 30 apartamentos, para a Cesta Super, no valor de R$ 110,00, cujo pacote tem serviços pouco utilizados por esses clientes. A instituição financeira apresentou como um dos argumentos para a execução da medida o intuito de aumentar a arrecadação de tarifas.

O diretor do Sindicato dos Bancários/ES, Igor Bongiovani, destaca que existem duas cestas mais baratas, a Clássica, de R$ 75,00; e a Executiva, de R$ 35,00; mas a Caixa não está dando aos condomínios de até 30 apartamentos a possibilidade de aderir a uma delas no momento de contratação do serviço, nem de migrar, no caso daqueles que já são clientes.

“O banco orienta de forma arbitrária e unilateral a imposição da Cesta Super ao cliente, não dando a ele a opção de escolher a que deseja, inclusive, alguma mais barata que atenda mais às necessidades do condomínio. Em nenhum momento a adesão à Super foi conversada com os clientes. E o único intuito é aumentar o lucro da instituição financeira, que já é alto”, diz Igor.

Somente no terceiro trimestre de 2016 a Caixa obteve um lucro de R$ 998,1 milhões. No acumulado do ano até setembro, o valor total foi de R$ 3,4 bilhões. Os dados referentes a todo o ano de 2016 ainda não foram divulgados pela instituição financeira. É importante destacar que os lucros abusivos, as custas da exploração de clientes e trabalhadores, não é exclusividade da Caixa. Prova disso é que, segundo dados do Banco Mundial, o ganho das instituições financeiras no Brasil com juros é o terceiro maior do mundo, perdendo somente para Madagascar e Malavi.

De acordo com um estudo feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), referente ao primeiro semestre de 2016, nos cinco maiores bancos, grupo no qual a Caixa está inserida, as receitas com tarifas cobrem em larga margem as despesas com pessoal. Esse dado deixa claro mais uma vez que não há necessidade de aumento de tarifas ou imposição de aquisição de serviços com tarifas mais altas.

“É lamentável que a Caixa, que como banco público deve cumprir uma função social, esteja com foco somente no aumento de sua lucratividade, impossibilitando o acesso da população a políticas públicas e não promovendo a democratização do acesso ao crédito”, diz Igor.

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